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17 dezembro 2018






Tinhas as bocas cosidas num sopro

Tinhas nas coxas,
no correr inflamado das ondas, a quebra
maleficente das ostras

Tinhas por dentes
linho, pérolas e fímbria
Por todo o corpo pintavam-te de Índia -

(o pano, dobrado,
unia ponta com ponta,
seios com sexo e boca)

Tinhas as duas bocas
abertas juntas na minha
opus nocturna




Andreia C. Faria





04 setembro 2018






Sou a mulher que se mata por amor a ti
e a mulher por amor de quem se morre
Sou o rapaz que há como uma água turva
na mulher por quem se morre
o bucal húmido do telefone onde ela expia
pensamentos violentos como plumas
Sou a pluma que lhe abre os lençóis
a lasca de madeira sobre a mesa
a lâmina à espera
que a nudez dê frutos
Sou aquilo que fere o rapaz
e a roupa que o tapa
Sou o brilho da janela onde a mulher
se balança




Andreia C. Faria