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13 novembro 2012












não paro de escrever quando o
poema já investe sobre mim e a
defesa possível não conhece
palavras. sei que me será difícil
restar inventado. penso no futuro e
acredito-me explicado por
sinais exteriores à minha mão. o meu
horror faz parte da minha sobriedade e
não enlouquecerei sem antes ressalvar,
sem regresso, a consciência desse
facto. nem mesmo enlouquecerei o
suficiente










valter hugo mãe










26 outubro 2012

29 junho 2012











não procuro um amor entre os cardos,
se é entre os cardos que me vês, procura 
pensar que um amor não se perde por ali 
nem por ali se deve encontrar. se estou 
entre os cardos, meu amor, é para te esquecer 
e se me vires, pensa que é por ti, absolutamente por ti 
que procuro apenas dores, apenas fardos, 
para lentamente matar o meu coração. e 
se me vires cair, se entretanto me vires no chão, 
não me apanhes, não me ajudes, pensa que 
já ninguém passeia nos cardos e que o 
amor, para castigo dos que morrem, recomeça 
num outro lugar, seguramente à tua espera. 
depois sorri mesmo que te seja difícil, se por 
mais difícil que seja para mim ver-te sorrir 
é entre os cardos que devo partir, quando 
fugazmente te souber passando, tão parecida 
com ires buscar a felicidade sem mim e eu 
só mais uns segundos, já meus anjos preparados. 









valter hugo mãe










04 junho 2012





estou escondido na cor amarga do fim da tarde






estou escondido na cor amarga do
fim da tarde. sou castanho e verde no
campo onde um pássaro
caiu. sinto a terra e orgulho
por ter enlouquecido. produzo o corpo
por dentro e sou igual ao que
vejo. suspiro e levanto vento nas
folhas e frio e eco. peço às nuvens
para crescer. passe o sol por cima
dos meus olhos no momento em que o
outono segue à roda do meu tronco e, assim
que me sinta queimado, leve-me o
sol as cores e reste apenas o odor
intenso e o suave jeito dos ninhos ao
relento






valter hugo mãe