[ leituras ]
“frank lloyd wright - a life”
ada louise huxtable
ed. penguin (lives)
como refere a autora nesta pequena (grande) biografia, há -
e sempre houve - duas vidas de frank lloyd wright: a que ele criou e a que ele
viveu. a primeira, a sua versão embelezada, consiste em todas as mitologias que
associamos de imediato ao grande arquitecto - o génio sem par, o solitário
incompreendido, o cruzado visionário. a segunda, não menos rica, abarca a
realidade mais prosaica de uma vida amorosa cheia de tumultos, do dia-a-dia no
estúdio, das evasões fiscais e das dívidas permanentes nunca saldadas - um
retrato de alguém que soube criar uma existência acima das suas posses, e
talvez a única que seria capaz de igualar a primeira.
quase no final do livro, fico com a sensação que ambas foram
e são verdadeiras e que a verdade está, isso sim, inscrita na sua obra. os seus
edifícios permanecem no nosso imaginário e revelam-nos o significado da(s)
sua(s) vida(s) e da sua arte, que ele soube tão bem combinar para modificar a
arquitectura - e o nosso modo de a olhar - para sempre.
