31 agosto 2026

 




leituras  de  agosto





















:: notas ::
 


 

sísifo

mariana a miserável

ed. lavandaria

 

há novelas gráficas assim, que não são para todos. mas os que conseguem decifrar o texto feito desenho - uns poucos privilegiados - esses são os cúmplices da melancolia escondida numa gravura aparentemente feliz e os que identificam o humor desarmante por trás das imagens mais tristes. esses poucos sabem ser um pouco menos miseráveis.


 

a analfabeta

agota kristof

ed. dois dias

 

fugindo de uma hungria ocupada e encontrando um refúgio na suíça, este é um relato sobre uma emigração forçada, não apenas no espaço e tempo mas sobretudo na língua, e o drama de nos sabermos analfabetos numa língua de acolhimento.

 


o meu carso

scipio slataper

ed. snob

 

bela novela-autobiografia quase-poética, em partes correspondentes a três períodos da vida do autor: infância, juventude e maturidade. o tema fulcral é o desespero perante o suicídio da amada e a perda da mãe, mas essa luta interna parece ter um desenlace menos trágico: mesmo sem valores absolutos, o destino é seguir em frente e dar sentido à vida através das acções.

 


a revista literária de lisboa / the lisbon literary review

vv. aa.

ed. futura

 

sempre de saudar o aparecimento de uma nova revista literária, sobretudo bilingue e com foco nesse mistério chamado tradução.

 


a natureza da linguagem

alexandra soares rodrigues

ed. zigurate

 

livro interessantíssimo sobre o labirinto misterioso da linguagem.


 

o monstro e outras peças

agota kristof

ed. dois dias

 

pequenas-grandes provas de um teatro genial.

 







14 agosto 2026

01 agosto 2026






leituras  de  julho

















:: notas ::
 



vermeer - a life lost and found

andrew graham-dixon

ed. allen lane

 

a melhor biografia que li nos últimos anos é surpreendente, com uma abordagem original e revelações inesperadas. jamais diria que johannes van der meer teria tido uma vida aparentemente dupla, envolta em mistério... nunca mais admirarei um dos seus quadros sem recordar as interpretações agora propostas. 

 


as melhores intenções

ingmar bergman

ed. dois dias

 

primeira parte de uma trilogia: a história do romance entre os pais do realizador, num misto de memória, novela e teatro. claro que parece o guião de um filme autobiográfico, mas bergman é bergman.

 


the remembered soldier

anjet daanje

ed. scribe

 

apareceu a vaguear pelos campos em 1917, sem saber quem era. foi internado num asilo por o considerarem militar que perdera a memória, mais um traumatizado pela guerra de trincheiras. mas cinco anos depois uma mulher reconhece-o e consegue que tenha alta médica e vá viver para sua casa, juntamente com os dois filhos do casal. mas lentamente ele próprio começa a duvidar de ser quem a mulher afirma. e mais não digo... é melhor lerem o livro, belo e electrizante, um dos melhores deste ano.

 


a fábrica do absoluto

karel capek

ed. antígona

 

inventou-se uma máquina que aproveita combustível para gerar energia, quase infinita e grátis. porém, como “subproduto” (ou talvez seja ao contrário...) também é gerado “o absoluto”, uma essência divina indissociável da matéria criada. resultado? uma divertida sátira disfarçada de distopia (ou talvez seja ao contrário...)

 


a little history of music

robert philip

ed. yale

 

mais um volume da série “a little history of...”, sempre brilhante e luminosa (porque há sempre algo que - ainda - não sabias...)

 







30 junho 2026






leituras  de  junho


















:: notas :: 



jazz

henri matisse

ed. sistema solar

 

“quem quiser entregar-se à pintura, deve começar por fazer com que lhe cortem a língua” - e está tudo dito!

 


ré : obra reunida

patrícia baltazar

ed. do lado esquerdo

 

de saudar a edição da obra reunida (mais dispersos e inéditos) de uma das vozes mais singulares da poesia actual, desaparecida cedo demais. esta recolha obrigatória é um must.

 


corps vivants : michel-ange et rodin 

chloé ariot + marc bormand 

ed. gallimard

 

para recordar, no rescaldo de uma bela exposição...

 


a rosa devorada pelos espinhos

vv. aa.

ed. língua morta 

 

a ideia é válida e esboça-se um retrato aceitável do que tem sido a poesia lusa nestes últimos 25 anos. e poderia até ser outra coisa, mas é o que é. numa antologia crítica, tão mordaz para "os do costume", louvam-se alguns, omitem-se olimpicamente outros e... cai-se no erro do costume: maldizem-se as "capelinhas" mas a nossa (deles) é inatacável.

 


o século dos imbecis

valter hugo mãe

ed. porto editora

 

uma agradável surpresa. nunca gostei do que escreveu anteriormente (recordo dois livros, de leitura inacabada) mas esta novela é diferente: história da vida e morte de um marquês que emburrece quando desce o monte (e ganha lucidez e inteligência quando o sobe) e de como isso condiciona a vida de todos os que o rodeiam, numa prosa propositadamente algo arcaica, mas com ironia, graça e imaginação.

 






11 junho 2026

01 junho 2026






leituras  de  maio




















:: notas :: 


 

a estalagem das duas bruxas (contos completos vol. I)

joseph conrad

ed. e-primatur

 

finalmente! a edição completa dos contos de conrad, um dos maiores contadores de histórias de todos os tempos.

 


peças em um acto

anton tchékhov

ed. relógio d’água

 

só há algo melhor do que a reunião destas oito divertidas peças de tchékhov: é poder ler "aCto" na capa e "a tradução deste livro segue o acordo ortográfico de 1945" na ficha técnica.

 


obrigado pela comida 

jon ståle ritland

ed. do lado esquerdo

 

…porque se a poesia é para comer, a comida é para poetar...

 

 

o pensamento de camões 

jorge de sena 

ed. guerra & paz

 

toda a gente devia ser obrigada a ler este livrinho.

 


orangerie

cécile debray

ed. rmn

 

um pequeno-grande livro, este guia/resumo anotado da colecção permanente de um pequeno-grande museu.

 


doce pássaro da juventude e outras peças

tennessee williams

ed. relógio d’água

 

comprado para reler “the glass menagerie” (“o zoo de vidro” não é uma tradução feliz, mas a peça aguenta tudo - e é indestrutível...)

 





01 maio 2026







leituras  de  abril




















:: notas :: 



the art of rivalry

sebastian smee

ed. profile books

 

uma pérola, este conjunto de relatos sobre 4 amizades/rivalidades no mundo da arte. as páginas dedicadas a bacon/freud e manet/degas são uma delícia.

 


enoch soames

max beerbohm

ed. sistema solar

 

“aquele doutor fausto era um tótó. eu, enoch soames, vou-vos mostrar como se faz um pacto com o diabo” (depois correu mal...)

 


escritos para desocupados

vivian abenshushan

ed. cutelo

 

mais do que um elogio da preguiça e um apelo ao primado do ócio, por aqui passa uma crítica certeira a tudo aquilo em que o trabalho se tornou na sociedade actual (e não esquecer que 'trabalho' deriva do latim 'tripalium', um instrumento de tortura). divertido e mordaz - e uma escrita surpreendente.

 


non réconcilié

michel houellebecq

ed. gallimard

 

partindo daquele mesmo universo que povoa as suas novelas (sim, o do absurdo quotidiano de supermercados e transportes e das relações humanas pautadas pelo desespero da impossível felicidade), eis uma antologia pessol de alguém que sempre se considerou um poeta obrigado a escrever prosa.

 


le douanier rousseau

anne sefrioui

ed. hazan

 

a menos de um mês de concretizar um dos meus sonhos artísticos - poder vê-lo ao vivo (na grande retrospectiva chez l’orangerie), este livro é um aperitivo-delícia...