30 dezembro 2023

 
 


o único balanço anual que verdadeiramente
me interessa pode ser consultado aqui.
porém, em resumo e a meu favor, posso dizer que mantive
uma boa média mensal e li cerca de quarenta livros de poesia.




leituras  de  dezembro
























:: notas ::

 

musical tables

billy collins

ed. random house

 

trata-se da mais recente recolha de poesia de collins, dedicada a “poemas curtos” (o que quer que isso seja...). mesmo a menor extensão não apaga nos textos os traços da sua assinatura: temas peculiares, postura coloquial, o poder das imagens sugeridas e sempre aquele algo inesperado que parecia escondido.


 

a festa acabou

vv. aa.

ed. shinigami

 

recolha de 91 haikus “finais”, isto é, os últimos que terão sido escritos por igual número de poetas e monges japoneses ao longo dos últimos cinco séculos. em alguns a noção de morte está presente, mas em quase todos permanece a beleza da existência e tudo o que de maravilhoso a natureza abarca.

 


the analog sea review - number one

vv. aa.

ed. analog sea

 

trata-se de uma revista literária off-line porque cabe no bolso mas não te acorda de noite. é feita de árvores, linho e óleo - e as imagens que contém não aparecem num ecrã. tem capa dura, acabamento primoroso, cheiro e textura. é uma selecção de textos, imagens e poemas subordinados a um ou vários temas, nunca mencionados (neste número destaco a solidão criativa e o desapego ao virtual). só é distribuída em livrarias independentes (em lisboa, na snob), não há sites nem vendas directas ou on-line. e, com 4 números já publicados, é seguramente um dos projectos editoriais mais bonitos e fascinantes de sempre.


 

quatro reencarnações

max ritvo

ed. cutelo

 

max ritvo faz-me recordar daniel faria - há chamas brilhantes que se extinguem muito cedo, cedo demais.


 

paris : une anthologie littéraire

vv. aa

ed. parigramme

 

livro de cabeceira: mais de mil páginas e trechos de quase duzentos autores não chegam para cronologicamente evocar a cidade mais representada na literatura. há os óbvios (rabelais, montaigne, voltaire, dumas, hugo, balzac, nerval, flaubert, proust, vian, queneau, modiano...), mas também os inesperados e surpreendentes (casanova, heine, james, strindberg, rilke, zweig, kafka, hemingway, cortázar...). fascinante.



dickens at christmas

charles dickens

ed. vintage

 

mais uma prenda para a mesa de cabeceira: tudo o que dickens secreveu sobre o natal, incluindo os famosos cinco contos (com o do senhor scrooge à cabeça), as histórias que publicou em jornais e revistas e excertos “natalícios” dos cadernos de pickwick. jingle bells, etc...


 

a frágil reparação da minha morte

eduarda chiote

ed. officium lectionis

 

com selecção e notas de maria f. roldão, eis uma óptima abordagem à poesia de eduarda chiote, essa lúcida “poeta de afectos ácidos”, para quem “se um livro é escrito e um poeta morre, não se perde grande coisa”.



the madman’s gallery

edward brooke-hitching

ed. simon & schuster

 

imaginem que um milionário louco e excêntrico se dispunha a reunir numa colecção particular mais de uma centena de pinturas, gravuras, ilustrações e até esculturas, e cada obra escolhida segundo critérios de beleza indesmentível e pela história incrivelmente bizarra por trás da sua criação. é essa a galeria que este livro maravilhoso nos dá a conhecer.