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17 abril 2013











Escrito de memória







Formado em direito e solidão,
às escuras te busco enquanto a chuva brilha.
É verdade que olhas, é verdade que dizes.
Que todos temos medo e água pura.

A que deuses te devo, se te devo,
que espanto é este, se há razão para ele?
Como te busco, então, se estás aqui,
ou, se não estás, porque te quero tida?
Quais os olhos e qual a noite?
Aquela
em que estiveste por me dizeres o nome.










Pedro Tamen











12 janeiro 2013









Guardarás numa caixinha
o que não fiz por ti,
a mão que não chegou à sobrancelha
que nem aflorou,
o beijo repetido nas palavras
sem que o tacto
o multiplicasse qual se desejava.

Nessa caixa de nada não tardará depois
a não estares só tu,
a não estar só eu,
a estarmos só os dois.








Pedro Tamen







( lê-se melhor aqui )

14 dezembro 2012










Não sai de mim afinal
outra coisa além do jeito
com que modelo e aceito
o que resulta do sal


com que tempero a natura
que em minha mão se acoitou.
Ela me faz o que sou
e ao fazer-me a faço impura.


Deste bico do sapato
bebo eu a vida inteira:
aqui fechado reato


caminhos de que ribeira,
montes e flores onde exacto
encontro a minha maneira.









Pedro Tamen











09 outubro 2012










O mar é longe, mas somos nós o vento; 
e a lembrança que tira, até ser ele, 
é doutro e mesmo, é ar da tua boca 
onde o silêncio pasce e a noite aceita. 
Donde estás, que névoa me perturba 
mais que não ver os olhos da manhã 
com que tu mesma a vês e te convém? 
Cabelos, dedos, sal e a longa pele, 
onde se escondem a tua vida os dá; 
e é com mãos solenes, fugitivas, 
que te recolho viva e me concedo 
a hora em que as ondas se confundem 
e nada é necessário ao pé do mar. 







 


Pedro Tamen











30 junho 2012







Não sei, amor, sequer, se te consinto
ou se te inventas, brilhas, adormeces
nas palavras sem carne em que te minto
a verdade intemida em que me esqueces.

Não sei, amor, se as lavas do vulcão
nos lavam, veras, ou se trocam tintas
dos olhos ao cabelo ou coração
de tudo e de ti mesma. Não que sintas

outra coisa de mais que nos feneça;
mas só não sei, amor, se tu não sabes
que sei de certo a malha que nos teça,

o vento que nos leves ou nos traves,
a mão que te nos dê ou te nos peça,
o princípio de sol que nos acabes.






Pedro Tamen