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13 janeiro 2014








Chegaste à idade da morte







Chegaste à idade da morte
dos teus amigos também agora
começas a distingui-los
cai um e depois outro
e tu apressas o passo
desta vez vais discutir
o terreno palmo a palmo
não saberias o que fazer
se a solidão se despovoasse.











Carlos Alberto Machado









05 janeiro 2014










Desculpa desculpa

(para a Mulher Azul)







Desculpa desculpa
nem sei o teu nome
só olhei para ti deitada
na via do infante
quinze de agosto
mil novecentos e noventa e nove
olhei várias vezes sem perceber
olhei-te pois e estavas azul
sobretudo no rosto e nos pés
cuspida na valeta
(ó mãe os carros cospem?)
noutras circunstâncias diria olá!
agora assim azul e a pulsação quase nada
qual era a tua cor antes do azul?
se ainda receberes a tempo este telegrama
responde-me por favor
o apartado está no verso.











Carlos Alberto Machado










[ para a nAnonima ]

30 dezembro 2013










Um milagre qualquer põe sombras nos teus olhos
um rimel especial para tornar castanho o olhar
sob a pressão das pálpebras indecisas
vieste assim triste é essa a sabedoria de prender
os corpos uma laranja que se solta
ao ritmo do coração desarranjado
as pessoas tristes não sabem soluçar
o pensamento está preso fundo muito fundo
e é por isso que apenas se deixam adivinhar
vieste assim triste como eu não sabia
foi ontem há muito tempo esquecemos
ficámos esquecidos a olhar o tempo
trocámos longas cartas com ausência de luz
queimadas desfeitas nas nossas mãos
vieste assim triste e fiquei a olhar-te a pensar
na escuridão a soletrar palavras desconhecidas
vieste assim triste e virás repetidamente virás
até o meu olhar aprender a olhar o teu
vejo ao longe o mar que ainda brilha
penso em ti assim triste que não virás
as sobras frias do peixe frito sobre a mesa.











Carlos Alberto Machado