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20 abril 2019







A casa do pobre é como um tabernáculo
onde o eterno se transforma em alimento,
e quando vem à noite ela entra calmamente
em si mesma, em largos círculos,
e, lenta, em si se recolhe, plena de ecos.

A casa do pobre é como um tabernáculo.

A casa do pobre é como a mão da criança,
que não agarra o que os adultos mandam;
apenas um escaravelho de tenazes atraentes,
um seixo redondo transportado pelo ribeiro,
a areia fluida, os búzios sonantes;
suspensa como uma balança,
ela acusa o mais leve peso
com os seus pratos oscilando longamente.

A casa do pobre é como a mão da criança.

E, como a terra, assim é a casa do pobre:
o fragmento de um cristal futuro,
ora claro, ora escuro, em sua queda,
pobre como a pobreza quente de um estábulo - 
e todavia noites há em que ela é tudo
e todas as estrelas saem dela.





Rainer Maria Rilke






21 março 2019





Aí está a morte. Não aquela cujo aceno
magicamente os tocou na infância, -
mas só a pequena morte que aí se alcança;
a sua própria morte está neles como um fruto
verde e sem açúcar que não vai amadurecer.


Senhor, dá a cada um a sua própria morte.
Uma morte saída dessa mesma vida
em que ele teve amor, miséria e sentido.




Rainer Maria Rilke