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01 novembro 2020

 



No  atingir  a  idade  de  duzentos  anos

 

 


 

Quando acordei na manhã
do meu ducentésimo aniversário,

esperava ser consultado

por suplicantes,

tal como a Sibila em Cumae.

Poderia ter-lhes dito alguma coisa.

 

Ao invés, foi o habitual:

toranja seca ao pequeno-almoço,

Mozart toda a manhã, interrompido

pelas asas das abelhas,

e fazer amor com uma mulher

de cento e oitenta e um anos de idade.

 

Na minha festa de aniversário

apaguei duzentas velas

uma de cada vez, fazendo

uma sesta a cada vinte e cinco.

Depois, fui para a cama, às cinco e meia,

no dia do meu ducentésimo aniversário,

 

e adormeci e sonhei

com uma casa não maior que a de uma pulga

com duzentos quartos dentro dela,

e em cada um dos quartos uma cama,

e em cada uma das duzentas camas

eu a dormir.

  

 

 



Donald Hall




(tradução minha)

26 agosto 2020





The  master



Where the poet stops, the poem
begins. The poem asks only
that the poet get out of the way.

The poem empties itself
in order to fill itself up.

The poem is nearest the poet
when the poet laments
that it has vanished forever.

When the poet disappears
the poem becomes visible.

What may the poem choose,
best for the poet?
It will choose that the poet
not choose for himself.





Donald Hall