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06 novembro 2014






Nós não somos do século de inventar as palavras.
As palavras já foram inventadas. Nós somos do século
de inventar outra vez as palavras que já foram inventadas.





José de Almada Negreiros






16 março 2013









Confidências






Mãe!
Vem ouvir a minha cabeça a contar histórias ricas que ainda não viajei! Traz tinta encarnada para escrever estas coisas! Tinta cor de sangue verdadeiro, encarnado! 

Mãe! passa a tua mão pela minha cabeça!
Eu ainda não fiz viagens e a minha cabeça não se lembra senão de viagens! Eu vou viajar. Tenho sede! Eu prometo saber viajar. 

Quando voltar é para subir os degraus da tua casa, um por um. Eu vou aprender de cor os degraus da nossa casa. Depois venho sentar-me a teu lado. Tu a coseres e eu a contar-te as minhas viagens, aquelas que eu viajei, tão parecidas com as que não viajei, escritas ambas com as mesmas palavras. 

Mãe! ata as tuas mãos às minhas e dá um nó-cego muito apertado! Eu quero ser qualquer coisa da nossa casa. Como a mesa. Eu também quero ter um feitio, um feitio que sirva exatamente para a nossa casa, como a mesa.
 
Mãe! passa a tua mão pela minha cabeça! 
Quando passas a tua mão na minha cabeça é tudo tão verdade! 









José de Almada Negreiros










29 maio 2012






"Todos os dias faz anos que foram inventadas as palavras. É preciso festejar todos os dias o centenário das palavras."




José de Almada Negreiros