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01 julho 2013









Arte poética






Por cada verso feito quantas noites
desfeitas e mulheres transfiguradas,
madrugadas, cidades, auto-estradas,
montes de cartas, mortos e ausentes.

Por cada verso feito me despeço
deste mundo, em pedaços repartido,
pois só consigo reunir-me quando fundo
império de poema nunca escrito.










António Barahona











07 maio 2013










Ignorância sábia






Condenado a dizer o que não sei,
eu não desisto de saber o que não digo.

Só sei que não sei nada, que sei que não sei,
mas, ao dizer tal frase, eu nada digo.

Nesta ignorância sábia me consumo
        e vão passando os dias
e as noite, como círculos de fumo.









António Barahona











02 outubro 2012











Pulsação








Perene é ser soneto: eis do futuro,
essa canção com oitocentos anos:
sábios, mil sons ecoam bons sopranos,
no timbre d’árias tensas de ouro puro.


Catorze versos a fundir degraus
(ligas de cobre e prata e elixir)
refeitos pra durar até que expire
seu último cantor, à flor do caos.


Perene é ser soneto, que reside
na cópia à rasa essencial do verbo:
tal como a roda, o cubo e o triângulo,


vem inscrito no código soberbo
de quem tece um casulo e sente livre
o sôpro do seu sangue num coágulo.










António Barahona