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11 agosto 2018





Contra Remedia Amoris




Não sou desse género de mulheres
incapazes de amor e de ternura.
Odeio o sacrifício e repugna-me
a vaidade que nasce da violência,
mas sei o que é valor e o que é sangue.
Quero ser a mulher de um mercenário,
de um poeta ou mártir, vai dar ao mesmo.
Porque sei olhar nos olhos dos homens.
Conheço quem merece a minha ternura.





Amalia Bautista






12 março 2017





Al cabo



Al cabo, son muy pocas las palabras
que de verdad nos duelen, y muy pocas
las que consiguen alegrar el alma.
Y son también muy pocas las personas
que mueven nuestro corazón, y menos
aún las que lo mueven mucho tiempo.
Al cabo, son poquísimas las cosas
que de verdad importan en la vida:
poder querer a alguien, que nos quieran
y no morir después que nuestros hijos.




Amalia Bautista






04 fevereiro 2016







Os meus melhores desejos





Que a vida te pareça suportável.
Que a culpa não afogue a esperança.
Que não te rendas nunca.
Que o caminho que sigas seja sempre escolhido
entre dois pelo menos.
Que te interesse a vida tanto como tu a ela.
Que não te apanhe o vício
de prolongar as despedidas.
E que o peso da terra seja leve
sobre os teus pobres ossos.
Que a tua recordação ponha lágrimas nos olhos
de quem nunca te disse que te amava.








Amalia Bautista







16 janeiro 2016







Alto mar





Quando estiver no alto mar e tudo
for água à minha volta, água salgada,
atirarei a vida borda fora.
Quando os meus olhos só puderem ver
a espantosa quantidade de pranto
que constituiu os mares deste mundo,
atirarei a vida borda fora.
Entre esses biliões e biliões
de lágrimas vertidas por alguém,
atirarei a vida borda fora.
E que os inexpressivos tubarões
destruam com os seus dentes o que fui.







Amalia Bautista





24 dezembro 2015






Ondas




Sei que me estou a afogar, mas ao menos
consigo manter de fora a cabeça.
De modo que, por favor,
não venhas tu fazer ondas.






Amalia Bautista







16 outubro 2015







No primeiro dia que saí contigo 
disseste que o teu trabalho era estranho. 
Mais nada. Todavia, eu sentia
a pele a rasgar-se como trapos 
de cada vez que me tocavas com a mão. 
E os teus olhos pareciam-me punhais
a fazer-me doer os meus. 
Daí para a frente foi sempre a mesma coisa: 
tu orgulhavas-te da tua arte,
mais subtil e directo em cada dia
e eu nunca percebia nada. 
Mas agora sei. 
Já conheço o teu ofício: 
Atirador de facas. 
A mais certeira atiraste-ma ao coração. 







Amalia Bautista







09 julho 2015







Pide tres deseos




Ver el alba contigo,
ver contigo la noche
y ver de nuevo el alba
en la luz de tus ojos.






Amalia Bautista





24 junho 2015






Algunos infelices




Todos necesitamos que nos quieran.
Algunos infelices, sin embargo,
no sabemos vivir para otra cosa.






Amalia Bautista






12 junho 2015





Como velas de um barco




Ao entrar, o vento enfuna as cortinas
como velas de um barco. Mas o barco
não se move, ainda que os ventos
pareçam favoráveis. Há já anos
que viajo só a bordo desta nave.
E pergunto-me que problema técnico
a mantém ancorada neste nada.
Assim não poderemos encontrar-nos
apesar de o vento ser favorável,
do meu experiente manejo do leme
e da minha ânsia de chegar ao porto.






Amalia Bautista





25 outubro 2014





Loucuras




E tu tão longe
e tão dentro de mim, tão invasivo.
E esta chuva
que ameaça dissolver toda a terra
e tornar tudo mar, o meu pesadelo.
E de repente todas as distâncias
se tornam infinitas,
como se só o louco mais malvado
as pudesse ter concebido.






Amalia Bautista






29 abril 2014








A dieta





Deitei-me sem jantar, naquela noite
sonhei que te comia o coração.
Suponho que seria pela fome.
Enquanto devorava aquela fruta
era doce e amarga ao mesmo tempo
tu beijavas-me com os lábios frios,
mais frios e mais pálidos que nunca.
Suponho que seria pela morte.







Amalia Bautista








25 dezembro 2013










A vida responsável







Conduzir mas sem ter um acidente,
comprar massas e desodorizantes
e cortar as unhas às minhas filhas.
Madrugar outra vez e ter cuidado
Em não dizer inconveniências,
Esmerar-me na prosa de umas folhas
E estou-me nas tintas para elas,
Retocar de vermelho cada face.
Lembrar-me da consulta ao pediatra,
Responder ao correio, estender roupa,
Declarar rendimentos, ler uns livros,
Fazer umas chamadas telefónicas.
Bem gostaria de me dar ao luxo
De ter o tempo todo que quisesse
Para fazer só coisas esquisitas,
Coisas desnecessárias, prescindíveis
E, sobretudo, inúteis e patetas.
Por exemplo, amar-te com loucura.










Amalia Bautista












08 dezembro 2013










A ponte







Se me disserem que estás do outro lado
de uma ponte, por estranho que pareça
que estejas do outro lado e que me esperes,
eu atravesso essa ponte.

Diz-me qual é a ponte que separa
a tua vida da minha,
em que hora negra, em que cidade chuvosa,
em que mundo sem luz está essa ponte,
e eu atravesso-a.










Amalia Bautista









15 agosto 2013











Eu sempre perguntava coisas tontas,
é certo. Perguntava, por exemplo,
se voltarias a amar-me tanto
como nos dias do amor mais jovem,
ou mesmo mais, ou mesmo mais que nunca,
mesmo mais que a ninguém, e se serias
capaz de confessá-lo ante qualquer.
É certo, perguntava coisas tontas,
não merecia uma resposta séria.
Aquele ser, mais escuro que a noite
mais escura da alma, respondia
sem olhar-me nos olhos: «Nunca mais.»










Amalia Bautista












04 março 2013










Me dices que me quieres






Me dices que me quieres de una forma 
que no puedo evitar ruborizarme; 
que me quieres de un modo primitivo, 
sin razón aparente y sin excusas, 
y que me quieres porque me deseas, 
porque sabes que yo también te quiero 
y porque el monstruo de este amor nos come 
el alma, la paciencia y los modales. 
Qué lástima que todas estas cosas 
se nos mueran ahogadas de silencio. 










Amalia Bautista










( uma tradução já tinha aparecido por aqui - mas o original tem outra melodia )