Na névoa, a cidade, ébria oscila, tomba. Informes, as casas perdem o lugar e o dia. Cravadas no nada, as paredes são menires, pedras antigas, vagas sem princípio, sem fim.
Fiama Hasse Pais Brandão
10 março 2013
Do amor IV
Esta vista de
mar, solitariamente, dói-me. Apenas
dois mares, dois sóis, duas
luas me dariam riso e
bálsamo. A arte da
Natureza pede o amor em dois
olhares.
Fiama Hasse Pais
Brandão
30 janeiro 2013
Poetas do amor
Senão
todos algum
de nós
reproduz diversos os mesmos lugares.
E
aquela que entra no verso para o
percorrer
atrás da tua sombra serei eu.
Fiama Hasse Pais Brandão
22 dezembro 2012
Amor é o olhar total, que
nunca pode ser cantado nos poemas ou na música, porque é tão-só próprio e bastante, em si mesmo absoluto táctil, que me cega, como a chuva cai na minha cara, de faces nuas, oferecidas sempre à água.
Fiama Hasse Pais Brandão
14 setembro 2012
Verso vão
Onda de sol, verso de ouro, perífrase vã. Extasiar-me, antes, por esta fusão, mistura de brilhos. Ou, ainda mais íntima, a consciência extensa como o céu, o corpo de tudo, semelhança absoluta. Respirar na quebra da onda. Na água, uma braçada lenta até ao limite de mim.