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10 julho 2023

 



 

 

Lisboa  sob  névoa

 

 

 


Na névoa, a cidade, ébria
oscila, tomba. 
Informes, as casas 
perdem o lugar e o dia.
Cravadas no nada, 
as paredes são menires, 
pedras antigas, vagas 
sem princípio, sem fim.

 

 

 

 

Fiama Hasse Pais Brandão

 






10 março 2013










Do amor IV







Esta vista de mar, solitariamente,
dói-me. Apenas dois mares,
dois sóis, duas luas
me dariam riso e bálsamo.
A arte da Natureza pede
o amor em dois olhares.










Fiama Hasse Pais Brandão








30 janeiro 2013










Poetas do amor







Senão todos algum
de nós reproduz diversos os mesmos lugares.
E aquela que entra no verso para o
percorrer
atrás da tua sombra serei eu.







Fiama Hasse Pais Brandão








22 dezembro 2012










Amor é o olhar total, que nunca pode
ser cantado nos poemas ou na música,
porque é tão-só próprio e bastante,
em si mesmo absoluto táctil,
que me cega, como a chuva cai
na minha cara, de faces nuas,
oferecidas sempre à água.








Fiama Hasse Pais Brandão









14 setembro 2012











Verso vão







Onda de sol, verso de ouro,
perífrase vã. Extasiar-me,
antes, por esta fusão,
mistura de brilhos. Ou, ainda
mais íntima, a consciência
extensa como o céu, o corpo de tudo,
semelhança absoluta. Respirar
na quebra da onda. Na água,
uma braçada lenta
até ao limite de mim.








Fiama Hasse Pais Brandão