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01 março 2016






em "palace", um dos meus cornell favoritos, joseph recolheu ramos da árvore que havia nas traseiras da sua casa em 3708 utopia parkway e colocou-os a servir de fundo a uma fachada de um grande edifício, encerrando posteriormente o conjunto numa das suas caixas mais icónicas. em bom rigor, a mim parece-me mais um hotel que um palácio, mas existe um pequeno pormenor que faz toda a diferença: quando nos aproximamos e tentamos olhar para o interior daquelas janelas entreabertas, descobrimos com surpresa que está alguém a olhar para nós, como se os hóspedes do hotel nos observassem numa muda interrogação. e é então que percebemos que existem ali, abrigadas pelas pequenas persianas, superfícies espelhadas: são os nossos olhos que nos olham - e não é uma visão de viajantes a pernoitar num quarto alugado, são os senhores do palácio que nos reprovam a curiosidade, com um olhar de enfado pela nossa imprudente ousadia.







palace
joseph cornell






19 fevereiro 2016






um dos enormes atractivos do mundo de joseph cornell é esse: o das viagens fictícias e a associada saudade de lugares onde afinal nunca se esteve. apesar de nunca ter saído da área de nova-iorque, através dos livros que leu, objectos que coleccionou e contactos que manteve, acabou por interiorizar memórias de uma europa do século xix (uma das suas paixões, a par do ballet) que nem os europeus já tinham – ou poderiam ter tido. quando em 1933 encontrou pela primeira vez marcel duchamp – num episódio que se tornou lendário  a propósito de uma exposição dedicada ao surrealismo, falaram em francês e começaram a trocar impressões sobre paris, a vida nos cafés e nos boulevards, o que tinha acontecido na ópera, alguns quadros vistos no louvre e os últimos bailados levados à cena. no final da conversa, quando cornell por fim confessou nunca ter visitado a capital francesa, consta que duchamp ficou longos segundos literalmente de boca aberta.







duchamp dossier
joseph cornell






19 julho 2015






não há direito! não há direito! não há direito! não há direito! não há direito! não há direito! não há direito! não há direito! não há direito! não há direito! não há direito! não há direito! não há direito! não há direito! não há direito! não há direito! não há direito!
não há direito! já perdi o freud em 2013 e vou a viena daqui a uma semana e vou perder o meu querido cornell! não há direito! não há direito! não há direito! não há direito! não há direito! não há direito! não há direito! não há direito! não há direito! não há direito!
não há direito! não há direito! não há direito! não há direito! não há direito! não há direito! não há direito! não há direito!


Kunsthistorisches Museum: Joseph Cornell: Wanderlust