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10 maio 2014








malha morta






é segunda faço sopa
é terça mudo de roupa
não sei se mudo de pele
quando à quarta vou com ele
se à quinta corto as veias
à sexta estou sem ideias

sábado levanto e calo
domingo acordo e falo,
sempre com algum atraso
é tarde no meu buraco
faço de conta que esqueço
aquilo que não mereço

sinto-me tal qual
uma velha canção
sinto-me tal qual
um refrão que odiei

à segunda aperto o laço
do garrote que a mim faço
à terça espero que passe
à quarta uso disfarce
na quinta ponho um vestido
à sexta perco o sentido

a dias me sinto suja
o que lavo vira negro
não sei porque continuo
esta malha em segredo
faço de conta que esqueço
aquilo que não conheço

sinto-me mal qual
uma velha canção
sinto-me mal qual
um refrão que odiei








Ana Deus









22 março 2014









ontem voltei a (ou)ver os osso vaidoso, com nova formação e canções a estrear, com letras de cesariny. 
a ana deus revelou que vão gravar um disco com esses textos. algo me diz que é uma aposta ganha...



algo nos diz crus
nos atravessa
algo nos diz nus
nos veste à pressa
e ao avesso
algo nos quis
e nos fala ao umbigo
fabulosos bonecos
no centro do mundo
alguém nos quis nus
alguém nos quis crus

de espanha foguetões
desintegra despoleta
o céu a seu dono
desmata desatina
castigo é castigo
o céu a seu dono
nenhum arranha-céus
jamais arranhou deus

algo nos quis nus
nos atravessa
algo nos quis crus
nos veste à pressa
e ao avesso
alguém nos fala ao umbigo
e nos pousa no centro
nos tira da cama
nos pousa do centro
da cama da vizinha









[ letra transcrita por mim, peço perdão por erros eventuais ]


15 dezembro 2013







ouvi isto pela primeira vez há uns meses, quando os osso vaidoso tocaram no ccb. na altura ana deus disse: e agora vamos tocar uma coisa nova… o fado. com letra de regina guimarães e a guitarra de alexandre soares, é uma espécie de regresso dos três tristes tigres, numa saudade tão portuguesa como este destino.



Por uma nesga sou branca
Por um triz seria negra
Por lapso a vida me manca
Por erro o mal não me pega

Por um naco sou de carne
Por alma quem não se dana
Por fome serei infame
Por Roma talvez romana

Um pouco mais de menos e está certa
Um pouco mais incerta e já escorrega
Um pouco menos cara quase oferta
Um pouco a pouco o peso me carrega

Um pouco a pouco grega mas troiana
Um pouco mais Maria Jesus crise
Um pouco menos luz que lusitana
Um pouco por favor mas não me pise

Por uma noite me mato
Por nata ralé me sinto
Por tu de tudo me trato
Por mim ao cabo me minto

Um pouco menos ré pública em popa
Um pouco assim tão tosca e tão à rasca
Um pouco a pouco tonta turva tosca
Um pouco do país que rai’s me parta









03 outubro 2013









nem as canções reunidas em "roupa anterior" me cansam
nem a voz de ana deus parece cansar-se delas e nelas
e os textos de regina guimarães têm essa propriedade:
são sempre curtos, mesmo quando a lengalenga é longa



Self made coisa e tal
fabricante de bandeira
kit-kat do capital
luna parque de fronteira.

Falocrata à paisana
pico pico saramico
sanduiche americana 
quem te deu tamanho bico

CEE tem-te não caias
cala e come a tua mão
menino saia das saias
homem não se quer chorão.

Ai não queres adeus viola
quem pode não sai de cima,
da foda não reza a escola
muito perdoa quem rima.

Muita carne de terceira
com molho tudo se engole.
Pergunta à alternadeira
se a moral não anda mole.

Central talvez nuclear
guerra sempre preventiva
gasolina pró jantar
que a gente em nada se priva.

Era uma vez um país
à beira mar chamuscado
porque Deus assim o quis
de cinza e negro pintado.

Era uma vez uma terra 
do lá vem um, lá vão dois
onde a carroça se enterra
terão de passar os bois.

Nem tanto ao mar

nem tanto à terra,
a gente ladra ao luar 

mas à luz do sol não ferra.

Gira lá roda da sorte
gosto de ouvir-te chiar
pois do berço até à morte
me deixarei embalar.

Caluda bolinha baixa 
o Salazar é que era! 
o povo a toque de caixa
nesses tempos quem me dera.

Futebol de canapé
nossa senhora da bola
tenho medo e tenho fé
cerveja com muita gola.

Ó Senhora dos parolos, 

que fazes numa azinheira
precisamos é de golos 

e missa futeboleira.

Se é pobre é porque tem culpa
se é preto tira-lhe a tosse
se é puta que pague a multa
e se é puto antes não fosse.


Se é bicha jaula com ela
se é bicho atira a matar
se é jovem não lhe dês trela
se é cota não tem lugar.


Se é doente já não presta
se é carente compre um cão
se é urgente não tem pressa
se caiu deixa-o no chão.

Rebéubéu pardais ao ninho
Portugal engole sapos,
no sotão só macaquinhos
na cave gatos sapatos.

Nem tanto ao mar 

nem tanto à terra
a gente ladra ao luar 

mas à luz do sol não ferra.