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07 junho 2014

27 maio 2014







fábula  da  primeira  vez





numa idade em que a música popular nos ocupa muita atenção, ela era diferente. não sabia nada dos grupos rock que idolatrávamos e só se interessava por música clássica. para além do liceu estudava também no conservatório, tinha um olhar misterioso e sabia tudo sobre história de arte. ouvia (mesmo) música contemporânea, e falava de dodecafonia e serialismo, palavras que eu nunca tinha ouvido. foi em casa dela que conheci cage e stockhausen (uma epifania). era tão diferente das outras raparigas que creio ter sido essa – para além do abismo daqueles olhos – uma das razões que me levou a querer conhecê-la melhor. ficámos amigos e com o tempo algo mais. uma tarde em que era suposto estarmos a estudar no seu quarto, cedemos à preguiça. ela foi à estante, tirou este album e pô-lo a tocar no gira-discos. deitados na cama a olhar para o tecto, ficámos a ouvi-lo de mãos dadas. e alguns minutos depois a minha primeira vez tinha acontecido. nem sempre sucede associada a uma música – mas por vezes sim. uma amiga confessou-me que, no seu caso, estava a tocar o “whiter shade of pale”. e um colega referiu o “riders on the storm” (grande escolha, por sinal). 
só não conheço mais ninguém que tenha por banda sonora da primeira vez o quinteto para clarinete de mozart.