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10 novembro 2017






[ a cossoul pediu-me um cartaz para sábado ]









[da nota ao leitor]

(...) porque o que sabemos do tríptico é de facto muito pouco,
além da sua indesmentível assinatura: que em meados do séc. xvi fazia já parte da
colecção real portuguesa, embora certos estudos recentes apontem para uma entrada
bem mais tardia no acervo, sendo referido invariavelmente o nome de damião de góis 
como o responsável pela compra da obra; que d. fernando, esposo de d. maria ii,
 o mandou restaurar na alemanha; que apenas foi exibido pela primeira vez em mil 
oitocentos e noventa e cinco; e que há pouco mais de cem anos deixou de morar no 
inabitado palácio das necessidades, vindo renascer naquela galeria às janelas verdes.
 e, para a minha história, muito mais não era preciso saber. cedo desisti de alvitrar
motivos ditados pela lógica e fui delineando uma sequência de acontecimentos que,
apenas por não serem provadamente impossíveis, talvez pudessem ter ocorrido. e creio 
que o mesmo terão imaginado todos os que nos últimos quinhentos anos se renderam
ao fascínio daqueles três painéis de madeira de carvalho pintados a óleo. porque, no
fundo, não interessa a época nem o local onde nasceram, uma vez que, afirma-o com 
notável precisão alberto ruiz de samaniego no seu prefácio a las tentaciones de lisboa
“entender-me-ão aqueles que foram tentados”. e também porque, como nos sugere
luis maría marina na sua espécie de bússola infalível, orientada para a tentação das 
tentações, “cruza o portão de dois batentes que se abre às janelas verdes. compra uma
entrada. sobe os dois lances de escadas, quinze degraus de ida e quinze degraus de
volta. vira à direita. atravessa quatro salas (...) entra na sala número sessenta
e um. vira novamente à direita. respira. escuta com atenção como,
a partir de algum lugar oculto, um hidrógrafo marca
um ritmo regular. toma o seu pulso, a compasso
com o fluir do passado que não cessa, com
o tempo que se sucede eternamente
nas tentações de lisboa.
abre os olhos.”





04 novembro 2017










a vontade de homenagear o quadro da minha vida e a percepção de que todos temos
algo em comum com oscar wilde, jheronimus van aken (dito bosch) e santo antão
levaram-me a escrever um livro que gostava de partilhar com quem passa por aqui.