Mostrar mensagens com a etiqueta sophia de mello breyner andresen. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta sophia de mello breyner andresen. Mostrar todas as mensagens

07 julho 2013









mulheres que trazem o mar nos olhos
Não pela cor
Mas pela vastidão da alma
E trazem a poesia nos dedos e nos sorrisos
Ficam para além do tempo
Como se a maré nunca as levasse
Da praia onde foram felizes

Há mulheres que trazem o mar nos olhos
pela grandeza da imensidão da alma
pelo infinito modo como abarcam as coisas e os Homens...
Há mulheres que são maré em noites de tardes...
e calma









Sophia de Mello Breyner Andresen








[ vê-se e lê-se melhor aqui ]

05 maio 2013











Que nenhuma estrela queime o teu perfil
Que nenhum deus se lembre do teu nome
Que nem o vento passe onde tu passas.


Para ti eu criarei um dia puro
Livre como o vento e repetido
Como o florir das ondas desordenadas








Sophia de Mello Breyner Andresen









23 abril 2013











Os amigos







Voltar ali onde
A verde rebentação da vaga
A espuma o nevoeiro o horizonte a praia
Guardam intacta a impetuosa
Juventude antiga –
Mas como sem os amigos
Respirar o cheiro a alga da maresia
E colher a estrela do mar em minha mão









Sophia de Mello Breyner Andresen









23 janeiro 2013










Sacode as nuvens que te poisam nos cabelos,
Sacode as aves que te levam o olhar.
Sacode os sonhos mais pesados do que as pedras.
Porque eu cheguei e é tempo de me veres,
Mesmo que os meus gestos te trespassem
De solidão e tu caias em poeira,
Mesmo que a minha voz queime o ar que respiras
E os teus olhos nunca mais possam olhar.







Sophia de Mello Breyner Andresen








24 outubro 2012










Inscrição

 



Quando eu morrer voltarei para buscar
Os instantes que não vivi junto ao mar


 




Sophia de Mello Breyner Andresen









 

02 setembro 2012










De um Amor Morto








De um amor morto fica
Um pesado tempo quotidiano
Onde os gestos se esbarram
Ao longo do ano


De um amor morto não fica
Nenhuma memória
O passado se rende
O presente o devora
E os navios do tempo
Agudos e lentos
O levam embora


Pois um amor morto não deixa
Em nós seu retrato
De infinita demora
É apenas um facto
Que a eternidade ignora






Sophia de Mello Breyner Andresen








19 agosto 2012











Terror de te amar








Terror de te amar num sítio tão frágil como o mundo

Mal de te amar neste lugar de imperfeição
Onde tudo nos quebra e emudece
Onde tudo nos mente e nos separa.

Que nenhuma estrela queime o teu perfil
Que nenhum deus se lembre do teu nome
Que nem o vento passe onde tu passas.

Para ti eu criarei um dia puro
Livre como o vento e repetido
Como o florir das ondas ordenadas.










Sophia de Mello Breyner Andresen









03 julho 2012









Eu contarei a beleza das estátuas
- Seus gestos imóveis ordenados e frios -
E falarei do rosto dos navios
Sem que ninguém desvende outros segredos
Que nos meus braços correm como rios
E enchem de sangue a ponta dos meus dedos










Sophia de Mello Breyner Andresen










18 junho 2012






Porque




Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão.
Porque os outros têm medo mas tu não.

Porque os outros são os túmulos calados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.

Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos são sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.

Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.






Sophia de Mello Breyner Andresen