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07 junho 2015





O mar nos teus olhos




I

É o mar, meu amor,

na febre dos teus olhos

é o manso fascínio

da onda que se inventa

É o mar, meu amor,

mestiço nos teus olhos

é o mirto, o queixume

a mansidão tão lenta


II

É o mar, meu amor,

o lastro dos sentidos

que afogas nos olhos

sem nunca te afundares

É o mar, meu amor,

que transportas nos olhos

e onde eu nado o tempo

sem nunca me encontrar







Maria Teresa Horta






[lê-se melhor aqui]

02 maio 2015





Hálito




E vertical o hálito
é saudade

o frio que amanhece
sobre os vidros

Debaixo dos lençóis
vou-me vestindo
com as tuas mãos
num vagar antigo





Maria Teresa Horta





20 fevereiro 2015





Saliva




Situando-te no meio 

desta frase
que equilibra morna 

de saliva 


distingo a cor do verão 

entre este inverno

que é o teu sabor
Na minha língua






Maria Teresa Horta






05 abril 2014









Joelho






Ponho um beijo
demorado
no topo do teu joelho

Desço-te a perna
arrastando
a saliva pelo meio

Onde a língua
segue o trilho
até onde vai o beijo

Não há nada
que disfarce
de ti aquilo que vejo

Em torno um mar
tão revolto
no cume o cimo do tempo

E os lençóis desalinhados
como se fosse
de vento

Volto então ao teu
joelho
entreabrindo-te as pernas

Deixando a boca
faminta
seguir o desejo nelas









Maria Teresa Horta










29 janeiro 2014







Poema sobre a recusa






Como é possível perder-te
sem nunca te ter achado
nem na polpa dos meus dedos
se ter formado o afago
sem termos sido a cidade
nem termos rasgado pedras
sem descobrirmos a cor
nem o interior da erva.

Como é possível perder-te
sem nunca te ter achado
minha raiva de ternura
meu ódio de conhecer-te
minha alegria profunda.





Maria Teresa Horta






09 janeiro 2014










Caminho
  





Na boca as palavras
encontram-se
equilibram-se

deslizam na língua
são leite
ou saliva

Persistem     resistem
objectos de mirra
com ancas de vidro
dunas perspectivas

são passos
caminhos

Poemas sensíveis

Na boca as palavras
adoecem
insistem

Razões obscuras
moles nas gengivas
rumores imprevistos

São docas antigas

Vaginas
ou quistos








Maria Teresa Horta










13 julho 2013









Morrer de Amor






Morrer de amor
ao pé da tua boca

Desfalecer
à pele
do sorriso

Sufocar
de prazer
com o teu corpo

Trocar tudo por ti
se for preciso







Maria Teresa Horta