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14 dezembro 2016





Desilusão


Quando me ofereceram O Livro dos Seres Imaginários, de Jorge Luis Borges, procurei imediatamente na letra B o verbete sobre o autor.



Afonso Cruz






21 janeiro 2016






Isa escondia palavras dentro de bocados de pão e depois atirava-os aos pássaros, e era assim que as suas palavras voavam por cima da sua aldeia, como fazem as nuvens carregadas de poemas quase a chover.





Afonso Cruz






01 janeiro 2016






Usher inventou poemas de levar água à boca. Um vidraceiro, séculos mais tarde, chamou-lhes copos, mas o carácter lírico de um objecto daqueles mantém-se com a mesma persistência da sede. E, de cada vez que levamos à boca um copo de água, há ali uma espécie de poema: sabemos que a água não tem sabor e, no entanto, não há líquido que sacie da mesma maneira. Usher sabia que o vazio que a água contém, algo tão neutro como uma página branca, tinha, em si, o mesmo potencial: a ideia de tudo, a possibilidade de ser tudo.
Disse-o: O poema de levar água à boca encerra todo o espaço e todo o tempo possíveis.







Afonso Cruz





20 dezembro 2015







"Merovech, o sábio, tinha uma pena com que escrevia memórias. Um dia, a tinta acabou e ele começou a escrever com o próprio sangue, até a tinta acabar, o que, no fundo, é o que fazem todos os escritores."





Afonso Cruz






07 dezembro 2014

09 novembro 2013









Um homem que, ao espelho, veja reflectido um homem em vez de um labirinto, não está a ver um homem. 
Está a ver um reflexo.








Afonso Cruz











06 novembro 2013








Fragmentos Persas







54.   Encheremos o mundo de coisas preciosas, serão tantas que os homens passarão por elas julgando-as banais.



98.   E, para que ninguém Nos compreenda, inventaremos a religião.










Afonso Cruz









03 agosto 2013








"Dantes gostava de ouvir um canário que a minha mãe tinha numa gaiola por cima da máquina de lavar. Há muitas portas no mundo. Quando chegava a casa, ele começava a cantar e eu, quando saía de casa, levava as cantigas dele para a rua. Devagar. Levava tudo na minha cabeça como as músicas da rádio, e ficava muito mais bonita e os homens olhavam para mim, cheia de canto de pássaros, e não sabiam porque é que estava tão bonita, pois eu não tinha os lábios pintados nem nada."







Afonso Cruz








08 maio 2013

29 março 2013










“Para aquecer o corpo, o melhor é uma lareira. Mas, para aquecer a parte de dentro do corpo, o melhor é ler.”





Afonso Cruz








10 julho 2012










(da) Imortalidade




Há dois tipos de pessoas no mundo:
as que acreditam que Pessoa morreu
e as que o leram ainda no outro dia.









Afonso Cruz