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25 abril 2014








queria de ti um país de bondade e de bruma
queria de ti o mar de uma rosa de espuma










Mário Cesariny








01 março 2014







Poema






Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco
conheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua figura
que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessa a cintura
tanto tão perto tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que já não é o seu
num rio que desapareceu
onde um braço teu me procura









Mário Cesariny










11 agosto 2013









É preciso dizer rosa em vez de dizer ideia

é preciso dizer azul em vez de dizer pantera

é preciso dizer febre em vez de dizer inocência

é preciso dizer o mundo em vez de dizer um homem

É preciso dizer candelabro em vez de dizer arcano

é preciso dizer Para Sempre em vez de dizer Agora

é preciso dizer O Dia em vez de dizer Um Ano

é preciso dizer Maria em vez de dizer aurora










Mário Cesariny









27 julho 2013









Homenagem a Cesário Verde





Aos pés do burro que olhava para o mar
depois do bolo-rei comeram-se sardinhas
com as sardinhas um pouco de goiabada
e depois do pudim, para um último cigarro
um feijão branco em sangue e rolas cozidas

Pouco depois cada qual procurou
com cada um o poente que convinha.
Chegou a noite e foram todos para casa ler Cesário Verde
que ainda há passeios ainda há poetas cá no país!











Mário Cesariny