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28 outubro 2016











Comigo me desavim,
Sou posto em todo perigo;
Não posso viver comigo
Nem posso fugir de mim.

Com dor da gente fugia,
Antes que esta assi crecesse:
Agora já fugiria
De mim, se de mim pudesse.
Que meo espero ou que fim
Do vão trabalho que sigo,
Pois que trago a mim comigo
Tamanho imigo de mim?




Sá de Miranda






04 abril 2013










retorno muitas vezes ao paradoxo da riqueza
da música de ana deus e alexandre soares
sobre as palavras de regina guimarães





Não tenho eira nem beira
nem acções em carteira
nem viajo em primeira.
Não tenho papá nem papão
não tenho travão.

Não tenho peso ideal
nem quartinho de casal,
não tenho mulher a dias,
nem amor a mordomias.
Não tenho conta-poupança,
não tenho herança
nem doutor de confiança.

Mas há coisas que são minhas
não se compram nem se vendem

Tenho voz às vezes canto
tenho fome às vezes janto
tenho vida, às vezes minha

Tenho ovários tenho rins
e mais saquinhos afins
e mais garganta e pescoço
e mais
muitos poros muito osso

Mas há coisas que são minhas
não se compram nem se vendem
nem do dinheiro dependem