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20 julho 2014






esta canção foi escrita por edu lobo, com letra de chico buarque. e é dos poucos, muito poucos, casos em que me parece uma reinterpretação (pois não se trata de uma simples cover) conseguir suplantar o original. para além do detalhe técnico raro do fraseado do baixo ser ascendente, há ainda essa extraordinária coincidência – e não propositada, como o confessaram os autores – da nota mais aguda coincidir com a palavra céu e a mais grave com a palavra chão. e entre um e outro, ficamos suspensos.



Olha

Será que ela é moça

Será que ela é triste

Será que é o contrário

Será que é pintura

O rosto da atriz
Se ela dança no sétimo céu

Se ela acredita que é outro país

E se ela só decora o seu papel

E se eu pudesse entrar na sua vida

Olha

Será que é de louça

Será que é de éter

Será que é loucura

Será que é cenário

A casa da atriz

Se ela mora num arranha-céu

E se as paredes são feitas de giz

E se ela chora num quarto de hotel

E se eu pudesse entrar na sua vida

Sim, me leva pra sempre, Beatriz

Me ensina a não andar com os pés no chão

Para sempre é sempre por um triz

Aí, diz quantos desastres tem na minha mão

Diz se é perigoso a gente ser feliz

Olha

Será que é uma estrela

Será que é mentira

Será que é comédia

Será que é divina

A vida da atriz

Se ela um dia despencar do céu

E se os pagantes exigirem bis

E se o arcanjo passar o chapéu

E se eu pudesse entrar na sua vida