11 agosto 2013
É preciso dizer rosa em vez de
dizer ideia
é preciso dizer azul em vez de
dizer pantera
é preciso dizer febre em vez de
dizer inocência
é preciso dizer o mundo em vez
de dizer um homem
É preciso dizer candelabro em
vez de dizer arcano
é preciso dizer Para Sempre em
vez de dizer Agora
é preciso dizer O Dia em vez de
dizer Um Ano
é preciso dizer Maria em vez de
dizer aurora
Mário
Cesariny
esta é uma canção de cyndi lauper dos anos oitenta,
cujo original pop foi bem recuperado pelas gentes do jazz.
até o imortal miles davis tem dela uma grande cover,
mas foi o duo tuck & patti quem melhor a soube reinventar.
Lying in my bed I hear the clock
tick, and think of you
Caught up in circles confusion is nothing new
Flashback warm nights almost left behind
Suitcases of memories, time after time
Sometimes you picture me I'm walking too far ahead
You're calling to me, I can't
hear what you've said
Then you say go slow I fall behind
The second hand unwinds
If you're lost you can look and
you will find me
Time after time
If you fall I will catch you I'll
be waiting
Time after time
After my picture fades and
darkness has turned to gray
Watching through windows you're
wondering if I'm OK
Secrets stolen from deep inside the drum beats out of time
If you're lost you can look and
you will find me
Time after time
If you fall I will catch you I'll
be waiting
Time after time
You said go slow I fall behind
The second hand unwinds
If you're lost you can look and
you will find me
Time after time
If you fall I will catch you I'll
be waiting
Time after time
Time after time
10 agosto 2013
09 agosto 2013
algumas das canções da minha vida foram escritas por kelly jones e esta (sobre um galês de férias na américa e as diferenças nas expressões idiomáticas) tem o bónus do videoclip, uma pequena (grande) fábula sobre a miragem da idade. estamos mais velhos? mesmo? tenham um bom dia...
San Francisco Bay, past pier thirty-nine
Early p.m, can't remember what time
Got the waiting cab stopped at the red light
Address, unsure of but it turned out just right
Early p.m, can't remember what time
Got the waiting cab stopped at the red light
Address, unsure of but it turned out just right
It started straight off, coming here is hell
That's his first words, we asked what he meant
He said, "Where your from?" we told him a lot
We take a holiday, is this what you want?
That's his first words, we asked what he meant
He said, "Where your from?" we told him a lot
We take a holiday, is this what you want?
To have a nice day
Have a nice day
Have a nice day
Have a nice day
Have a nice day
Have a nice day
Have a nice day
Lie around all day, have a drink to chase
Yourself and tourists, yeah, that's what I hate
He said, "We're going wrong", we've all become the same
We dress the same ways, only our accents change
Yourself and tourists, yeah, that's what I hate
He said, "We're going wrong", we've all become the same
We dress the same ways, only our accents change
So have a nice day
Have a nice day
Have a nice day
Have a nice day
Have a nice day
Have a nice day
Have a nice day
Swim in the ocean that be my dish
I drive around all day and kill the processed fish
It's all money gum, no artists anymore
You're only in it now to it make more, more and more
I drive around all day and kill the processed fish
It's all money gum, no artists anymore
You're only in it now to it make more, more and more
So have a nice day
Have a nice day
Have a nice day
Have a nice day
Have a nice day
Have a nice day
Have a nice day
ouvi há pouco isto na rádio. e veio uma saudade...
haja o que houver
eu estou aqui
haja o que houver
espero por ti
volta no vento
ó meu amor
volta depressa
por favor
há quanto tempo
já esqueci
porque fiquei
longe de ti
cada momento
é pior
volta no vento
por favor
eu sei, eu sei
quem és para mim
haja o que houver
espero por ti
08 agosto 2013
fábula da minha lisboa mais linda que a tua
a minha lisboa é mais linda que a tua porque é sempre vista a preto e branco.
sempre achei curiosa a necessidade de descrever lisboa associada às cores,
habitualmente a uma cor apenas. há a cidade rosa, julgo que devido às telhas
habitualmente a uma cor apenas. há a cidade rosa, julgo que devido às telhas
- embora essas sejam mais cor de tijolo, depois a cinematográfica cidade branca
dos que acreditam que nela se escondem todas as cores possíveis, e até a cidade
em tons pastel que é apregoada aos turistas que nela desaguam como um tejo.
ora lisboa não pode ser uma cor, é precisamente a sua ausência - e nisso é única.
evelyn waugh dizia que oxford era uma cidade fixada num passado de aguarela
e para mim lisboa é algo parecido, uma atmosfera em matizes de tinta-da-china,
um rio gráfico sem rumo nem foz, a preto e branco, claro - e escuro também.
evelyn waugh dizia que oxford era uma cidade fixada num passado de aguarela
e para mim lisboa é algo parecido, uma atmosfera em matizes de tinta-da-china,
um rio gráfico sem rumo nem foz, a preto e branco, claro - e escuro também.
07 agosto 2013
Criei
em mim várias personalidades. Crio personalidades constantemente. Cada sonho
meu é imediatamente, logo ao aparecer sonhado, encarnado numa outra pessoa, que
passa a sonhá-lo, e eu não.
Para
criar, destruí-me; tanto me exteriorizei dentro de mim, que dentro de mim não
existo senão exteriormente. Sou a cena viva onde passam vários actores
representando várias peças.
Bernardo
Soares
06 agosto 2013
há dias a ana rita recuperou as águas de março de elis regina.
confesso que gosto mais da versão em dueto com tom jobim.
este clip, apesar de se notar que há playback (e elis cantar a fumar...),
ilustra bem o que devem ter sido aqueles dias no estúdio. inveja de não ter lá estado...
É pau, é pedra, é o fim do caminho É um resto de toco, é um pouco sozinho É um caco de vidro, é a vida, é o sol É a noite, é a morte, é um laço, é o anzol É peroba do campo, é o nó da madeira Caingá, candeia, é o Matita Pereira É madeira de vento, tombo da ribanceira É o mistério profundo, é o queira ou não queira É o vento ventando, é o fim da ladeira É a viga, é o vão, festa da cumeeira É a chuva chovendo, é conversa ribeira Das águas de março, é o fim da canseira É o pé, é o chão, é a marcha estradeira Passarinho na mão, pedra de atiradeira É uma ave no céu, é uma ave no chão É um regato, é uma fonte, é um pedaço de pão É o fundo do poço, é o fim do caminho No rosto o desgosto, é um pouco sozinho É um estrepe, é um prego, é uma conta, é um conto É uma ponta, é um ponto, é um pingo pingando É um peixe, é um gesto, é uma prata brilhando É a luz da manhã, é o tijolo chegando É a lenha, é o dia, é o fim da picada É a garrafa de cana, o estilhaço na estrada É o projeto da casa, é o corpo na cama É o carro enguiçado, é a lama, é a lama É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã É um resto de mato, na luz da manhã São as águas de março fechando o verão É a promessa de vida no teu coração É uma cobra, é um pau, é João, é José É um espinho na mão, é um corte no pé É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã É um belo horizonte, é uma febre terçã São as águas de março fechando o verão É a promessa de vida no teu coração
O odor das alfavacas
Meu pai falava do odor das
alfavacas
e eu corria ao dicionário («Planta
labiada, semelhante
ao manjericão…»), logo
decepcionado
Imaginava uma vaca primordial
depositária de bíblicos
segredos
capaz de mudar o curso das
coisas
de ser fundamental, talvez, na
minha vida
mas nada disso: havia-as de
caboclo, de cobra, dos montes,
do campo, de cheiro (certamente
as do meu pai)
e nenhuma referência à cornuda
que apascentava
a minha imaginação
Aprendi assim a desconfiar das
palavras
e da realidade
a ver como ambas nos enganam
sem qualquer piedade
José Manuel de Vasconcelos
05 agosto 2013
outro grande azul de mayall gravado a solo em estúdio há mais de quarenta e cinco anos
(quando digo a solo é porque é ele que toca todos os instrumentos)
Please don't tell
nobody
We've got something new
Please don't tell
nobody
They might laugh at you
Please don't tell
nobody
Baby please don't tell
I've been loving you
baby
Jealous people want to
know
I've been loving you
baby
Don't let the rooster
crow
Please don't tell
nobody
Baby please don't tell
Please don't tell
nobody
We're moving down the
line
Please don't tell
nobody
They won't wanna see
you cryin'
Please don't tell
nobody
Baby please don't tell
04 agosto 2013
Talvez seja possível amar uma mulher
por causa de um livro, de um poema sublinhado, de um filme a preto e branco, de
uma casa, do olhar de um homem quando fala dela, da forma como o seu cão a
espera. Da reprodução de um Mondrian na parede da sala.
Talvez seja possível amar um homem por
causa de um livro, de um poema de Stevenson, «my house, they say», dos olhos de
uma mulher quando fala dele, da forma como o seu cão o espera.
Ana Teresa Pereira
{ lê-se melhor aqui }
03 agosto 2013
"Dantes gostava de ouvir um canário que a minha mãe tinha numa gaiola por cima da máquina de lavar. Há muitas portas no mundo. Quando chegava a casa, ele começava a cantar e eu, quando saía de casa, levava as cantigas dele para a rua. Devagar. Levava tudo na minha cabeça como as músicas da rádio, e ficava muito mais bonita e os homens olhavam para mim, cheia de canto de pássaros, e não sabiam porque é que estava tão bonita, pois eu não tinha os lábios pintados nem nada."
Afonso Cruz
d e s c u b r a
a s
s e t e
d i f e r e n ç a s :
entre as canções de amor
a) de robert
b) de nataly
Whenever I'm alone with you
You make me feel like I am home again
Whenever I'm alone with you
You make me feel like I am whole again
Whenever I'm alone with you
You make me feel like I am young again
Whenever I'm alone with you
You make me feel like I am fun again
However far away
I will always love you
However long I stay
I will always love you
Whatever words I say
I will always love you
I will always love you
Whenever I'm alone with you
You make me feel like I am free again
Whenever I'm alone with you
You make me feel like I am clean again
However far away
I will always love you
However long I stay
I will always love you
Whatever words I say
I will always love you
I will always love you
02 agosto 2013
Há uma árvore de gotas em todos os paraísos.
Com o rosto molhado,
eu posso ficar com o rosto molhado,
com os olhos grandes.
Neste lugar absoluto pelo sopro,
fervem as víboras de ouro aos nós
sobre as pedras enterradas. Leopardos
lambem-me as mãos giratórias.
E eu abro a pedra para ver a água estremecendo.
A água embebeda-me.
Como nos corredores de uma casa brilha o ar,
brilha como entre os dedos.
- A minha vida é incalculável.
Herberto Helder
01 agosto 2013
há dias perguntaram-me qual era para mim a banda mais representativa dos anos oitenta.
a resposta não era fácil, sobretudo porque há muitos grupos, como os smiths, os prefab sprout, os xtc, os eurythmics ou os scritti politti, que são dos anos oitenta mas são muito mais do que isso (por serem "universais").
e, por eliminação, fiquei com as manobras orquestrais no escuro - até porque é deles a canção ("souvenir") que considero ser a mais icónica dessa década.
visto agora, o videoclip é algo datado... mas oferece-nos o bónus do volkswagen karmann ghia, provavelmente o descapotável mais lindo alguma vez desenhado.
It's my direction, it's my proposal
It's so hard, it's leading me astray
My obsession, it's my creation
You'll understand, it's not important now
All I need is co-ordination
I can't imagine, my destination
My intention, ask my opinion
But no excuse, my feelings still remain
My feelings still remain
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