18 março 2020






não creio que o venha a ouvir em abril. os concertos
de todas as digressões estão a ser cancelados/adiados.
mas esta canção do novo disco era uma daquelas que
queria mesmo ouvir ao vivo. como ele diz: fico à espera.












15 março 2020





a  literatura  foi  tão  efémera




se eu soubesse que ia ser assim, jamais a literatura
teria entrado na minha vida. ela alicia-nos desde a
adolescência com romances, novelas, poesia e até
teatro e depois é isto. instala-se em mim, em ti, em
todos nós esta espécie de insatisfação permanente.
sim, diz-me, o que fez por ti a literatura senão dar-te
a consciência da tua insuficiência perante um texto
que te aperta a garganta ou faz o teu coração falhar
um batimento. ou enumera lá as grandes vantagens
obtidas por deixares que essas letras alheias criassem
no teu espírito imagens irreais, situações impossíveis
e emoções pouco saudáveis. a verdade é que aquilo
que foste lendo, as dezenas de livros, os milhões de
palavras, se perdeu ao longo dos anos. guarda-se em
ti uma vaga memória de um ou outro personagem
célebre e daqueles enredos mais famosos, mas sabes
no teu íntimo que leste para esquecer, a literatura foi
tão efémera quanto a recordação dos seus benefícios.






10 março 2020

05 março 2020





na eterna demanda do nocturno mais-que-perfeito,
dou por mim muitas vezes a trautear este velho tema
de victor young/ned washington, recriado pelo trio de
bill evans ao vivo em 1961, numa gravação que veio a
tornar-se um instant classic. podia ser apenas mais uma
versão de um standard, mas não conheço outra superior.










29 fevereiro 2020

26 fevereiro 2020






ainda e sempre em demanda do nocturno mais-que-perfeito,
dou muitas vezes por mim a re-ouvir as variações goldberg











20 fevereiro 2020






d e s c u b r a
a s 
s e t e
d i f e r e n ç a s :



entre estas duas interpretações de uma canção jurássica dos saudosos sparks



a) a original, dos anos setenta




b) a orquestral, dos anos noventa








16 fevereiro 2020





fábula  das  aves  decapitadas




as aves decapitadas continuam a inventar
asas para evitar a vertigem da queda. elas 
apenas desejam estar mais além, parar de 
pensar, deixar de ser. e as suas pequenas
cabeças cortadas acumulam-se em nós, os 
que deixámos de voar julgando ser assim
possível não sermos proscritos, que fomos
inventando palavras aladas para não mais
nos obrigarem a pousar nestas páginas. as
aves decapitadas dormem em nós, como
se continuassem deitadas sobre árvores.


lê as palavras no papel e, não te esqueças,
o livro provém da árvore. é como o filho
distante que sabemos estar bem próximo.
os escritores gostam do outono porque os
bosques se despem, as letras se soltam dos
troncos, e na terra são por fim recolhidas
por quem tanto deseja escrever sobre elas. 
e só depois essas folhas caídas se agrupam
em palavras impressas e regressam à árvore
que as aves decapitadas usam como diário.






12 fevereiro 2020

07 fevereiro 2020





Pre-scrita




Esta saudade
de te chamar pelo nome
Esta saudade
de te chamar pelo nome

Esta saudade
de manter a palavra
Este receio
de apenas manter a palavra

Esta saudade de uma vida
que não dê em poema
Este receio de um poema
que antecipe uma vida.




Ulla Hahn





04 fevereiro 2020





quando aliam o revivalismo psicadélico 
àquele cool feeling que só o j.j. cale tinha
acho mesmo difícil resistir aos dope lemon