19 julho 2015






Soneto da separação




De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto

De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama

De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente

Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente






Vinicius de Moraes





4 comentários:

  1. No dia em que fiz meio século ofereceram-me o cd "Tom canta Vinicius - Ao vivo", o qual abre com este soneto. Enquanto objecto, o disco também é muito bonito.
    Mal li aqui o soneto, recordei-me das palavras que na altura me disseram: "Toma... É mesmo a tua cara." Lembro-me sempre disto quando olho para o cd e gostei que agora me levasse a recordá-lo.

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  2. Ai que este soneto bate tão forte!!

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