07 janeiro 2013










Janeiro






agora a tua canção sonha no meu sal
atravessa a luz das mulheres que tive
como uma faca inocente
perfumando o rosto

desvendamos às escuras
o claustro onde sozinha te resguardas
onde vejo florir as tuas coxas
como árvores na minha pobreza
em serenos pátios a caminho do dia

deixo enfim respirar
a floresta do mundo nessa água branca
e retiro-me para a minha insónia errante

hoje porém acendi de novo o lume
no meu sangue,
acordei-te
e a minha chuva fustigou toda a noite
a tua janela escura








José Manuel de Vasconcelos








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