29 dezembro 2015






fábula  na  certeza  da  foz






se eu fechasse os olhos para recordar o teu corpo
aqui neste cais à beira-mágoa talvez me atirasse
uma âncora ferida a abraçar estas águas doridas
na saudade das marés vivas que nos acordavam
quando sem rumo nos deixávamos adormecer
e queria levar poemas comigo e as palavras tuas
canções de desejo salgado ao sabor da corrente
o teu corpo desaguado em mim na certeza da foz


mas não é pelo meu rio que se chega ao teu mar







6 comentários:

  1. É nas águas doridas que nascem as palavras mais belas...
    :)
    Um feliz 2016 JL

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  2. Belíssima, josé luís!
    (Sabe que este computador não gosta das suas minúsculas e tenho de estar sempre a corrigi-lo? Convém saber desta contabilidade de esforço na aproximação do fim de ano!)

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  3. Bom ano, José Luís.
    Com muitas palavras :)

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