21 julho 2015





fábula  da  noite  cá  dentro





a melancolia desceu sobre mim como o escuro desta noite à beira-rio
e a tua memória, outrora gravada a ferro em pedra, esvai-se esvai-se
enquanto a chuva cai sobre a saudade de um tempo de suave recordação


se todas as gotas que já caíram se pudessem esquecer talvez te reinventasse,
talvez a tua imagem não fosse assim difusa e diluída como estas lágrimas,
e estas esferas de sal caíssem e rolassem e seguissem o rio mesmo até à foz


mas não. embaciado como o respirar condensado nos vidros enregelados,
vejo-te desaparecer na sombra dos candeeiros que iluminaram este momento,
porque desponta o dia lá fora mas volta a cair de novo a noite cá dentro







6 comentários:

  1. Sempre tão bonitas estas fábulas!
    Esta tocou-me.
    beijos

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  2. Sabe que esta fábula está para cima de espectacular?
    Pode ter a certeza!

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  3. Tão bonito, josé luís,.
    Agora pergunto eu: posso roubar? :)

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