01 outubro 2013








fábula  do  poema  na  tua  pele






sei que um dia hei-de escrever um poema na tua pele
(mas talvez tenha de pedir emprestadas as palavras)

começaria pelos pés, onde as letras caminham em fila
subiria pelas tuas pernas, um verso branco nos joelhos,
uma rima inusitada onde palavras minhas entram em ti
e perderia frases no teu ventre, e talvez seja por isso
tão difícil escrever o teu peito, onde um outro soneto
descreve a curva do pescoço onde espraiam os cabelos

terminaria assim o poema e sei que ler esses versos
é inscrever de novo as linhas do teu corpo agora nu









4 comentários:

  1. Belíssimo!
    Que afortunada a alma dessa pele.

    Luísa

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  2. Quando o poema é belo faz ainda melhor, se não ao corpo, pelo menos à alma. Também estou a gostar da música do Hendrix interpretada pelo Stevie.

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