24 setembro 2013








fábula  da  alforria







quando os poemas naufragaram no galope das ondas
as suas frases separaram-se em palavras incrédulas
agarradas umas às outras no pânico do abismo do mar
e depois as palavras dissolveram-se em letras afogadas
que pousaram emudecidas no fundo da água sem luz


nessas letras sabe-se estar um cântico por escrever
uma ária mais difícil de entoar que comer uma romã
podia ser uma canção libertadora como carta de alforria
mas mais não é que uma imprecisa e vaga carta de marear
com a promessa de um porto de abrigo onde os poemas
se ancoram e os velhos marinheiros os cantam em blues










(para a júlia de carvalho hansen)


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