01 novembro 2012










Não há outro caminho







Os poemas podem ser desolados
como uma carta devolvida,
por abrir. E podem ser o contrário
disso. A sua verdadeira consequência
raramente nos é revelada. Quando,
a meio de uma tarde indistinta, ou então
à noite, depois dos trabalhos do dia,
a poesia acomete o pensamento, nós
ficamos de repente mais separados
das coisas, mais sozinhos com as nossas
obsessões. E não sabemos quem poderá
acolher-nos nessa estranha, intranquila
condição. Haverá quem nos diga, no fim
de tudo: eu conheço-te e senti a tua falta?
Não sabemos. Mas escrevemos, ainda
assim. Regressamos a essa solidão
com que esperamos merecer, imagine-se,
a companhia de outra solidão. Escrevemos,
regressamos. Não há outro caminho.











Rui Pires Cabral












3 comentários:

  1. para um blog também não há outro caminho... ;)
    (ps. o senhor josé luís não quer passar a dizer o nome de cada livro de onde tira os poemas, ficariamos muito gratos ;))

    ResponderEliminar
  2. oh, isso nem sempre me ocorre... e depois também há poemas que peço emprestados de outros belogues. este é do livro "longe da aldeia" de 2005, ed. averno.

    ResponderEliminar
  3. ... josé luís, se tivesses sido aluno do Prof. Artur Anselmo nunca te esquecerias de identificar as fontes ;)) a verdade é que dá jeito quando os poetas publicaram mais do que um livro ;) e há tanta desinformação na net... e obrigada pelo nome do livro do rpc ;)

    ResponderEliminar