13 junho 2017





... e, no dia em que se celebram as tuas cento e vinte e nove risonhas primaveras,
apeteceu-me, fernando antónio, recordar uma das tuas (minhas) fábulas de lisboa: 




  rua  garrett






e então sonhava ser um faraó quando éramos muitos dentro de mim
alberto, ricardo e álvaro falavam-me sempre no nobre porte de kheops
e bernardo achava que o meu perfil lhe lembrava muito o grande ramsés
mas eu sabia que se tivesse conhecido tutankhamon teria sido mais feliz
na certeza de ter encontrado uma improvável alma gémea longe do nilo
à beira-tejo neste rio à beira-sonho que desagua tão perto do à beira-eu

agora, mumificado para sempre na memória dos que sobem a rua garrett,
espero… mas sei que ninguém se sentará ao meu lado neste vale dos reis

  







4 comentários:

  1. josé luís, já reparou como fica aqui tão bem a sua fábula?! (Até é terça-feira, dia delas, das fábulas suas :))
    Não tenho aqui o livrinho para confirmar... Tenho ideia que aquelas fotos dizem respeito a uma encenação feita por alunos, não é?

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    1. sim, é uma transcrição do livro ;) as fotografias têm seis ou sete anos, obtidas durante umas festas da cidade em que alunos do conservatório faziam animação no chiado. este fernando antónio estava sentado na rua garrett, todo ele branco e imóvel. só "despertava" quando alguém se sentava na cadeira vazia ao seu lado. foi o que fiz. conversámos durante algum tempo, confessou-me que a ideia era corporizar um fantasma de um qualquer heterónimo. e depois fotografei-o. só muito mais tarde me apercebi de que ele parecia uma múmia... e daí nasceu a fábula.

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