01 março 2016

última  fábula: 






a morte à beira-rio






se eu morrer à beira-rio embrulha o meu corpo num tronco de árvore
deita-o na água e deixa-o flutuar e despede-te e deixa-me partir assim
não chores triste e fica apenas a ver se a corrente me leva tejo abaixo
segue-me pela margem e vais ver que é fácil e que a foz está ali perto
já só tens de fazer mais esse esforço de tentar distinguir-me ao longe
então se observares bem vais ver uma caravela sem mastro nem vela
e acredita que vou dar a volta ao mundo e me lembrarei sempre de ti
que os mares são só sete e que talvez um dia quem sabe até regresse








8 comentários:

  1. E se os mares são só sete, há mais terra do que mar.

    Boas viagens: que permitam o regresso à origem.

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  2. Bela, ainda que triste, fábula. :(

    Há um novo blogue a nascer? Assim espero.

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  3. Para regressar, basta a vontade, ainda que os mares sejam sete.

    Boa noite, José Luís :)

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  4. Também não exagere: não é preciso morrer. :)
    Embora esta morte lhe tenha corrido muito bem!

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