19 fevereiro 2016






um dos enormes atractivos do mundo de joseph cornell é esse: o das viagens fictícias e a associada saudade de lugares onde afinal nunca se esteve. apesar de nunca ter saído da área de nova-iorque, através dos livros que leu, objectos que coleccionou e contactos que manteve, acabou por interiorizar memórias de uma europa do século xix (uma das suas paixões, a par do ballet) que nem os europeus já tinham – ou poderiam ter tido. quando em 1933 encontrou pela primeira vez marcel duchamp – num episódio que se tornou lendário  a propósito de uma exposição dedicada ao surrealismo, falaram em francês e começaram a trocar impressões sobre paris, a vida nos cafés e nos boulevards, o que tinha acontecido na ópera, alguns quadros vistos no louvre e os últimos bailados levados à cena. no final da conversa, quando cornell por fim confessou nunca ter visitado a capital francesa, consta que duchamp ficou longos segundos literalmente de boca aberta.







duchamp dossier
joseph cornell






2 comentários:

  1. Um pedaço de vida tão curioso.
    Ah, mas eu consigo ter as minhas cartas muito melhor organizadas. :)
    Era assim tudo ao molho? :))

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    1. tudo o que se encontra no interior das suas famosas caixas provinha de dossiers organizados por temas ("relógios", "aves", "vidros", "mapas", "bailarinas", etc), típico de um coleccionador compulsivo. este era o dossier em que guardara coisas associadas a duchamp, com quem veio a colaborar e a manter uma amizade durante longos anos. ;)

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