23 fevereiro 2016







marear  na  tua  carta






agora que a primeira onda invade o convés desta nossa caravela nua
só queria mesmo afundar-me contigo e salgar-me nas praias do teu amar,
flutuar sem temor no secreto compasso que adivinho em cada maré tua:
lendas de gigantes, musas da nossa canção, cabos ainda por dobrar.


agora que a última onda submergiu esta nau que se afundou em ti
já nem sequer posso içar âncora e marear na tua carta de marear,
desvendar os longínquos reinos que afinal sempre estiveram aqui:
mistérios do teu corpo, oceanos de alva névoa, sete mares por navegar.







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