11 dezembro 2015








[Proporções óbvias entre o místico e o louco

Se a regra é a de proporcionalidade então essa é a verdade, o místico é proporcional ao óbvio e o óbvio ao louco, o que não é proporcional não existe.

Uma linha vertical desenhada a meio do olho, em frente o olhar óbvio, subindo e descendo a linha, o místico e o louco, incapacitando o caminhar.

O louco a correr para dentro, o místico a correr para fora, deixando assim o óbvio calmamente no início.

Uma nova teoria despede-se da velha com um aperto de mão e seguem em sentidos contrários. O louco e o místico despedem-se com as mãos do mesmo corpo e seguem em cruz.

O místico escreveu uma longa carta ao louco a explicar-lhe que não está sozinho, o louco respondeu, com um pequeno poema, a explicar ao místico que não está acompanhado.

O óbvio pode ter medo. As coisas óbvias podem ter medo e disfarçar para não nos assustarem. Os planetas podem ter medo. E se a realidade tem medo de nós - os átomos são mais loucos e místicos que óbvios.

O louco segue a dança das peças, o místico os quadrados pretos e brancos do tabuleiro, o óbvio as regras. Ninguém ganhou ainda.

A lágrima do louco é abandonada à saída, a do místico é lançada para cima e a do óbvio é disparada em frente. As lágrimas demoram o mesmo tempo a chegar ao chão.

O místico não utiliza ferramentas,por falta de curiosidade, o louco não distingue as ferramentas da curiosidade, o óbvio utiliza como ferramenta a curiosidade, que repete, até à exaustão do material.

O louco tem asas, o místico tem asas, o óbvio pode voar:]







Joana Espain






2 comentários:

  1. Ai, josé luís, que aflição.
    Não me estou a sentir muito bem da cabeça... Deve ser a loucura a instalar-se.
    [Muito bom. A sério!]
    Bom fim-de-semana.

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