15 dezembro 2015






fábula  da  cartografia  das  palavras  sem  rumo






dobrado o cabo quis reunir as dispersas palavras que me seguem
deitadas ao rio segui-lo-iam até ao mar e regressariam com a chuva
breves e fugazes não aproam aos portos certos nem revelam pistas
falam de outros destinos e creio que quando as correntes o permitem
decerto aportam a outros cais que sei haver ancorados dentro de nós


quero acreditar que existem portulanos e cartas de marear que as citam
fui buscá-las a bordo de uma escrita difusa que outros navegaram de cor
o meu atlas mais não é que uma resumida cartografia de palavras sem rumo
são diários de bordo náufragos em mim mas à deriva num oceano imaginado
e neles apenas se ouve o murmúrio de palavras que conduzem a outros mapas






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