16 outubro 2015







No primeiro dia que saí contigo 
disseste que o teu trabalho era estranho. 
Mais nada. Todavia, eu sentia
a pele a rasgar-se como trapos 
de cada vez que me tocavas com a mão. 
E os teus olhos pareciam-me punhais
a fazer-me doer os meus. 
Daí para a frente foi sempre a mesma coisa: 
tu orgulhavas-te da tua arte,
mais subtil e directo em cada dia
e eu nunca percebia nada. 
Mas agora sei. 
Já conheço o teu ofício: 
Atirador de facas. 
A mais certeira atiraste-ma ao coração. 







Amalia Bautista







6 comentários:

  1. Bonito, apesar dos estragos.:)

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Ah, ele já lhe tinha dado as coordenadas. ;)
      Que o ofício continue a correr bem para ambas as partes... A acertar muitas facas no mesmo coração.

      Eliminar
    2. pontaria, precisa-se... ;)

      Eliminar
  2. Lindo, apesar de acabar mal...

    ResponderEliminar