20 outubro 2015







fábula  da  orla  do  mar






não consegui voltar a ver no teu rosto os contornos da orla do mar
e nos teus olhos deixou de haver aquele brilho de espuma na praia
algo fez naufragar em mim o sereno torpor da ondulação da tua pele
nas noites despertas no sono que pairava sob um oceano de estrelas
perdeu-se o rumo apenas adivinhado nas sonhadas cartas de marear
que outrora lia ou julgava ler no pergaminho da nudez do teu corpo
submerso e turvo o desejo de sempre aportar ao teu porto de abrigo
já nada me recorda em ti a caravela mágica em que tanto naveguei


… apenas o silêncio das conchas onde se ouvia a canção das ondas








6 comentários:

  1. Mas as conchas trouxeram as palavras que definiram essa magia de outrora.

    Boa noite, José Luís. :)

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  2. Aquilo que eu vi no lado de dentro das palavras foi serenidade misturada de tristeza. E gostei de ler as palavras assim, pousadas numa mesa quase tranquila.

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