14 setembro 2015





[ leituras ]








“uma história da curiosidade”
alberto manguel
ed. tinta da china



conheci manguel pelo seu dicionário de lugares imaginários, depois pela sua história da leitura e, mais tarde, através do seu relato dos tempos em que leu para um borges já cego - e tive agora a confirmação da profunda influência que o ouvinte exerceu sobre o leitor.
numa edição cuidada e graficamente apelativa, este é um livro pouco comum nos tempos que correm. um crítico citado refere ser um livro infinito, no sentido borgesiano, e tem toda a razão. ficamos imediatamente presos a este texto: um encantamento similar ao da primeira leitura de um dos antigos clássicos, como foi mágico esse momento - e como ainda o recordamos, tão nítido... 
manguel apoia-se em dante e, numa espécie de redescoberta da divina comédia, vai tecendo uma rede em torno da nossa ideia de curiosidade, fundindo literatura, arte e filosofia. aprisionados nessa teia ficamos a conhecer um pouco mais de shakespeare, diderot, são tomás de aquino, oscar wilde, ulisses, sherlock holmes, tennyson e tantos outros, num desfile interminável de personagens de um país das maravilhas, em que a maior é a curiosidade pela curiosidade.
embora acabe por ser de algum modo um relato autobiográfico, é também muito mais do que isso: são muitos livros num só. 

e, à semelhança dos ensaios de montaigne - o leitor actual mantém a sensação de que foram escritos ontem para serem lidos hoje por si e para si - há parágrafos verdadeiramente geniais, como o que transcrevo em seguida.






4 comentários:

  1. A citação que escolheu é de uma clarividência extraordinária. A explicação da descida à linguagem é perfeita. Para quem gosta e está habituado ao exercício da palavra escrita, ajuda a manter os pés assentes na terra.
    Gosto muito de ver aqui este livro. ;)
    Boa semana!

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  2. Bela dica jl!
    Obrg pela partilha :-))))

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