02 julho 2015






Nudez




Vertical, pelo corpo
a nudez principia
como a primavera no tempo
ou a luz junto aos olhos.

Pressentida verdade
que nos une. Em silêncio
regressamos à origem
dessa praia longínqua.

Ali, nenhuma imagem
altera o seu destino.
Como um fruto, procura
a direcção da terra.

Apenas as nossas mãos
ignoradas desprendem
os cabelos: memória
de remotos vestidos.







Fernando Guimarães





2 comentários:

  1. Confesso aqui a minha ignorância: não conhecia nada sobre o Fernando Guimarães.
    Li pela primeira vez este poema ainda o dia estava deitado e achei-o tão bom que não fiz nada. Nem comentei, nem roubei;)
    Fiquei a pensar que aquele homem tinha de ter mais qualquer coisa. Oh, se tem! E é esta – o acrescentar de informação – a primeira razão que me leva a andar pela blogosfera. Hoje aprendi mais um bocadinho.
    O poema é lindíssimo!

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    1. para mim está ao nível do herberto e do ramos rosa, uma das vozes da segunda metade do século passado. verifico também que ainda só por aqui apareceram uma mão cheia de poemas seus…

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