21 abril 2015






fábula das tuas mãos





as tuas mãos são as amarras que me prendem ao cais que sou
são elas que me mantêm a flutuar no oceano que me afunda
é a elas que aporto, após mil regatas navegadas sem sabor


nas tuas mãos desaguam dedos, braços de um delta esquecido
espraiam-se por breves momentos nos meus cabelos agrestes
e encerram em si promessas de esperança em cânticos de silêncio


as tuas mãos despertam serenas após cada noite agitada
são o refúgio de mim próprio por entre mares de mágoa
junto a elas não é preciso sonhar, basta senti-las, assim


nas tuas mãos posso não fazer frente à tempestade e à névoa
mas consigo ver nas ondas revoltas as mansas águas de um lago
nas tuas mãos resgato um corpo... e entrego o meu espírito







4 comentários:

  1. Até estou desconfiada que os amores-perfeitos - bonitas que são estas flores e o nome - saltaram da foto anterior para "as tuas mãos";)
    Lindo, José Luís!

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