30 abril 2014

29 abril 2014










( dia mundial da dança :: uma coreografia mais-que-perfeita )



















e, no instante em que esse amor morreu, o ar tornou-se subitamente mais rarefeito, como se o prado fosse agora a encosta fria da montanha. pareciam até mais oblíquos os raios do sol sobre o muro coberto de flores. mas uma borboleta parou o batimento das asas por um momento: sobre a relva, nadando no seu próprio sumo, um coração batia ainda.



I wouldn't kill to win a war 
I don't get what they do it for
It's all so terribly vague
I see the pictures from a thousand years of
battles and I think it's such a bore

I walk New Orleans with a knife
Like mackie hidden out of sight
But I'd be useless if they jumped
I'm really not the killing type

I'm not the killing type
I'm not the killing type
I'm not I'm not
I'm not the killing type

I've got a picture of your mum
Before the war when she was young
She's got an etching to her right
I think it's funny that she's looking to the left and it's her son

I wouldn't kill to get you back
and I've officially been asked
I couldn't kill to save a life
I'd rather die a peaceful piece of shit-bait shame-filled coward
thanks
I'm not the killing type
I'm not the killing type
I'm not I'm not
I'm not the killing type
I'm not
But I would kill to make you feel
I don't mean kill someone for real
I couldn't do that it is wrong
But I can say it in a song a song a song

And I'm saying it
NOW
And I'm saying it
SO
Even if you never hear this song somebody else will know
I'm saying it
NOW
And I'm saying it
SO
Even if you never hear this song somebody else will know
Know know know

I just can't explain how good it feels
I just can't explain how good it feels
I just can't explain how good it feels
I just can't describe

I once stepped on a dying bird
It was a mercy killing I couldn't sleep
for a week I kept feeling its breaking bones
I heard

That if you see a star at night
And the conditions are just right
And you are standing on a cliff
And you can close your eyes
And make a wish
And take a step
And change somebody's life

I'm not the killing type
I'm not the killing type
I'm not I'm not
I'm not the killing type I'm not

But I would kill to make you feel
I'd kill to move your face an inch
I See you staring into space
I wanna stick my fist into your mouth and twist your arctic heart yes

I would kill to make you feel
I don't mean kill someone for real
I couldn't do that it is wrong
But I can say it in a song a song a song

And I'm saying it
NOW
I'm saying it
SO
Even if you never hear this song somebody else will know
I'm saying it
NOW
And I'm saying it
SO
Even if you never hear this song somebody else will know
Know know know

I just can't explain how good it feels
I just can't explain how good it feels
I just can't explain how good it feels
I just can't describe ibe ibe ibe
DIE DIE DIE DIE DIE DIE DIE DIE
...I'm not killing type.
















A dieta





Deitei-me sem jantar, naquela noite
sonhei que te comia o coração.
Suponho que seria pela fome.
Enquanto devorava aquela fruta
era doce e amarga ao mesmo tempo
tu beijavas-me com os lábios frios,
mais frios e mais pálidos que nunca.
Suponho que seria pela morte.







Amalia Bautista








28 abril 2014








nascido nos pântanos da louisiana, james isaac moore começou por ser conhecido por harmonica slim. mais tarde - tendo-se tornado num dos príncipes da harmónica no reino dos azuis - ganhou merecida e definitivamente o nome de slim harpo.



Aah, I'm itchy

And I don't know where to scratch

Come here, baby

Scratch my back

I know you can do it

So baby, get to it



Aah, you're workin' with it now


Ya got me feelin' so good


A li'l bit to the center now, baby


Mmm-mmm-mmm


This little girl su' knows how to scratch!


Now you're doin' a chicken scratch


Aah, it's lookin' good, baby!


Just go 'head an scratch it!


That's what I'm talkin' about




















calçelfie #4

[ auto-retrato de uma espécie em vias de extinção ]









27 abril 2014

soube agora mesmo do seu desaparecimento. e estou triste. não o conhecia pessoalmente e em termos de política não estávamos decerto de acordo sobre muita coisa, mas era meu companheiro na luta contra a aberração do aborto ortopédico (não permitiu a sua adoPção no ccb - e muito bem), escrevia com uma ironia rara, era um belíssimo tradutor e, recordando palestras suas em que estive presente, não me lembro de ninguém com a sua erudição e dimensão cultural (ouvi-lo falar de camões era... brutal). e, sendo do porto, amava lisboa como poucos. quem dera ter sido eu a escrever isto:







o elevador de santa justa





podes caber à larga e não à justa no elevador de santa justa,
não te leva a parte nenhuma no sentido utilitário normal,
mas é a nossa torre eiffel. faz a experiência. por sinal
é um caso em que não custa aprender à nossa custa:
variamente na vida e na ascese se flibusta,
e aprender à nossa custa é muito mais ascensional.


podes subir ao miradouro se a altura não te assusta:
lisboa é cor de rosa e branco, o céu azul ferrete é tridimensional,
podes subir sózinho, há muito espaço experimental.
noutros elevadores há sempre alguém que barafusta,
mas não aqui: não fica muito longe a rua augusta,
e em lisboa é o único a subir na vertical.


no tejo há a barcaça, a caravela, a nau, o cacilheiro, a fusta,
luzindo à noite numa memória intensa e desigual.
com o cesário dorme a última varina, a mais robusta.
não é para desoras o elevador de santa justa,
arrefece-lhe o esqueleto de metal,
mas tens o dia todo à luz do dia. não faz mal.








Vasco Graça Moura
(1942 - 2014…(...








[elevador de santa justa]
















Deixo-te com tua vida
teu trabalho
tua gente
com teus pôres do sol
e teus amanheceres
semeando a confiança
deixo-te junto ao mundo
derrotando impossíveis
seguro sem seguro
deixo-te frente ao mar
decifrando-te a sós
sem minha pergunta às cegas
sem minha resposta quebrada
deixo-te sem minhas dúvidas
pobres e mal-feridas
sem minhas verduras
sem minha experiência
mas não creias tão pouco
em tudo a pés juntos
não creias nunca creias
neste falso abandono
estarei onde menos
esperares
por exemplo
numa árvore anosa
cabeceando de sono
estarei num horizonte
distante sem horas
na marca do tacto
na tua sombra e na minha
estarei repartido
em quatro ou cinco miúdos
desses que tu olhas
e a seguir te seguem
e oxalá possa estar
no teu sonho na rede
esperando o teu olhar
e a olhar-te.









Mario Benedetti






















robert de niro 
hedi slimane










26 abril 2014

...e ainda a propósito de ontem:








a ideia parece ter partido de yoko e george. e depois john começou por lhe chamar “number nine dream”, e tinha por base a ideia da representação de uma revolução apenas através de sons. apesar da electrónica primitiva (estamos nos estúdios de abbey road em 1968), graças a técnicas de colagem, loops, inversões e variações de velocidade, conseguiram terminar “revolution #9”, que com os seus quase nove minutos é a maior faixa alguma vez gravada pelos beatles. entretanto já lennon tinha escrito “revolution #1”, a versão mais bluesy que aparece no álbum branco. mas, para o lado b do single de “hey jude”, o grupo resolve apresentar uma auto-cover (brill!): a versão que ficou célebre, mais rápida e de guitarras distorcidas, entitulada apenas “revolution”. pois bem,







d e s c u b r a
a s
s e t e
d i f e r e n ç a s






entre estas revoluções:


a) a primeira



e


b) a última


You say you want a revolution

Well you know
 we'd all want to change the world

You tell me that it's evolution

Well you know
 we'd all want to change the world

But when you talk about destruction

Don't you know that you can count me out

Don't you know it's gonna be alright

You say you got a real solution

Well you know
 we'd all want to see the plan

You ask me for a contribution

Well you know
 we're all doing what we can

But if you want money for people with minds that hate

All I can tell you is brother you'll have to wait

Don't you know it's gonna be alright



You say you'll change the constitution

Well you know
 we'd all love to change your head

You tell me it's the institution

Well you know 
you better free your mind instead

But if you go carrying pictures of chairman Mao

You ain't going to make it with anyone anyhow

Don't you know know it's gonna be alright





















shelfie #9











25 abril 2014








a primeira canção dita “de intervenção” que chamou a minha atenção [ouvida um pouco às escondidas antes de há quarenta anos em casa de um colega do liceu que, como sempre, tinha um irmão mais velho que tinha arranjado o "margem de certa maneira" já não sei onde…] foi esta - e é esta que associo imediatamente à minha banda sonora do vinte e cinco de abril. não é a vagarosa "grândola" nem a infatigável "gaivota"…
e depois há um verso ("só tem medo desses muros quem tem muros no pensar") que temo se tenha tornado profético.



eh! companheiro aqui estou, aqui estou pra te falar
estas paredes me tolhem os passos que quero dar
uma é feita de granito não se pode rebentar
outra de vidro rachado p'ras duas pernas cortar

eh! companheiro resposta, resposta te quero dar
só tem medo desses muros quem tem muros no pensar
todos sabemos do pássaro cá dentro a qu'rer voar
se o pensamento for livre todos vamos libertar

eh! companheiro eu falo, eu falo do coração
já me acostumei à cor desta negra solidão
já o preto que vai bem já o branco ainda não
não sei quando vem o vento pra me levar de avião

eh! companheiro respondo, respondo do coração
ser sozinho não é sina nem de rato de porão
faz também soprar o vento não esperes o tufão
põe sementes do teu peito nos bolsos do teu irmão

eh! companheiro vou falar, vou falar do meu parecer
vira o vento muda a sorte toda a vida ouvi dizer
soprou muita ventania não vi a sorte crescer
meu destino e sempre o mesmo desde moço até morrer

eh! companheiro aqui estou, aqui estou p'ra responder
sorte assim não cresce a toa como urtiga por colher
cresce nas vinhas do povo leva tempo a amadur'cer
quando mudar seu destino está ao alcance de um viver

eh! companheiro aqui estou, aqui estou pra te falar
de toda a parte me chamam não sei p'ra onde me virar
uns que trazem fechadura com portas para espreitar
outros que em nome da paz não me deixam nem olhar

eh! companheiro resposta, resposta te quero dar
portas assim foram feitas p'ra se abrir de par em par
não confundas duas coisas cada paz em seu lugar
pela paz que nos recusam muito temos de lutar.
















queria de ti um país de bondade e de bruma
queria de ti o mar de uma rosa de espuma










Mário Cesariny