07 novembro 2013









Ontem adormeceste, ainda 
tínhamos as facas todas na boca
e três por abrir.
Ficou uma pousada
em equilíbrio geométrico
na linha dos lábios.
Não sei de quem eram 
esses lábios de onde 
o gume imóvel não deixava sair 
as palavras duras 
e, mais tarde, os pesadelos.
Outra, o cabo na minha mão,
esqueci-a antes da última 
costela flutuante 
depois do coração.

De manhã éramos só nós, frios, 
e a memória das cinzas na rua.
A terceira foi como se nunca tivesse existido.










Margarida Ferra








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