09 novembro 2013








Nome comum: Jasmim-dos-Poetas





Percorria ao anoitecer os jardins 
da cidade à procura das flores
oficiais – sobem amparadas 
e perfumam com a memória 
do chá as ruas irregulares. 
Levava uma tesoura de unhas,
insuficiente e desnecessária porque
não colhia nada que fosse vivo.
Restavam-me frases livres,
páginas dobradas, cadeiras desiguais
e os pratos vazios deixados
aos gatos. 

O primeiro poema encontrei-o 
numa dessas buscas
debaixo da árvore maior,
no ferro que sustenta a copa,
preso com uma mola da roupa.









Margarida Ferra










2 comentários:

  1. As cidades têm desses poemas inesperados...
    Bom sábado!

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