02 novembro 2013








alforria blues







aceitei que o mar é a única escrita que existe, antes disso
tinha firmado o corpo todo dentro dele até a cintura
sentia o bom sentir que é só sensação
o coração muito arraigado e estriado
o coração como uma batata crescendo na terra

tão contente que desconfiava
dos vaticínios, dos oráculos,
dos conselhos, dos pais,
das leis, dos sãos, afiava
todo o porvir em rios

de ervas - mananciais do ritmo.

então dei a ponta do meu dedo ao céu
e ele, em fluxo, retribuiu.
sopraram-me ao ouvido:
escreva nos bastidores do vivo.

e eu senti a rasante do pássaro que vem me ver.










Júlia de Carvalho Hansen









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