08 outubro 2013







fábula  do  país  previsível








sabes, em aljubarrota a padeira faltou no dia da batalha
o aroma do pinhal de dom dinis não cheirava a pinheiro
ninguém dobrou o bojador porque podia não ser indolor
o zarolho nem nadar sabia, quanto mais salvar o que escrevia
a janela do defenestrado vasconcelos permaneceu fechada
já o adamastor tinha um letreiro a dizer que estava aberto
e qualquer pessoa passava por ele e percebia-lhe o equívoco
um pessoa tem logo que ser muitos para tentar ser inequívoco
no dia da república a praça estava cheia de monárquicos felizes
e em abril o largo do carmo repleto de republicanos de março
no poema previsível a rima obriga-me a escrever o que disfarço
mas no país previsível o imprevisto simplesmente não é possível



 






[ em resposta a um desafio da menina da loja dos doces ]

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