04 setembro 2013








A púrpura dos dias





falar-te-ei de como se erguem

em flor as sementes,

de como o luar pode desfazer

a solidão de um nome

e atirar-nos para o lugar das mãos.

ao longe, a púrpura dos dias,

do ar respirado, da vida

que não pára de bater

em cada grão de terra

- nas tuas mãos, o meu

coração de lã e o frio

que não mais te tocará

por ser possível ser-se feliz.









Vasco Gato









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