31 agosto 2013













l'île lacroix, rouen
camille pissarro

















(...)
Youth, Goethe said, is the silky apple butter on the good brown bread of possibility.
(...)
Food, said Goethe, is the topmost taper on the golden candelabrum of existence.
(...)
Music, Goethe said, is the frozen tapioca in the ice chest of History.
(...)
Art, Goethe said, is the four-percent interest on the municipal bond of life.
(...)
Critics, Goethe said, are the cracked mirror in the grand ballroom of the creative spirit.
No, I said, they were, rather, the extra baggage on the great cabriolet of conceptual progress.
Eckermann, said Goethe, shut up.









Donald Barthelme
in “Conversations with Goethe”










28 agosto 2013













excursion into philosophy
edward hopper








[ o meu hopper preferido ]










Se tu amas por causa da beleza, então não me ames!
Ama o Sol que tem cabelos doirados!

Se tu amas por causa da juventude, então não me ames!
Ama a Primavera que fica nova todos os anos!

Se tu amas por causa dos tesouros, então não me ames!
Ama a Mulher do Mar: ela tem muitas pérolas claras!

Se tu amas por causa da inteligência, então não me ames!
Ama Isaac Newton: ele escreveu os Princípios Matemáticos da Filosofia Natural!

Mas se tu amas por causa do amor, então sim, ama-me!
Ama-me sempre: amo-te para sempre!











Adília Lopes









27 agosto 2013










esta é provavelmente a minha canção preferida de bruce frederick joseph springsteen.
e nem sequer é necessário estar ao volante para ser um nocturno mais-que-perfeito...




When I lost you honey sometimes I think I lost my guts too
And I wish God would send me a word send me something I'm afraid to lose
Lying in the heat of the night like prisoners all our lives
I get shivers down my spine and all I wanna do is hold you tight

I swear I'll drive all night again just to buy you some shoes
And to taste your tender charms
And I just wanna sleep tonight again in your arms

Tonight there's fallen angels and they're waiting for us down in the street
Tonight there's calling strangers, hear them crying in defeat.
Let them go, let them go, let them go do their dances of the dead (let 'em go right ahead)
You just dry your eyes girl, and c'mon c'mon c'mon let's go to bed, baby, baby, baby

I swear I'll drive all night again just to buy you some shoes
And to taste your tender charms
And I just wanna sleep tonight again in your arms

There's machines and there's fire waiting on the edge of town
They're out there for hire but baby they can't hurt us now
Cause you've got, you've got, you've got my love, you've got my love
Through the wind, through the rain, the snow, the wind, the rain
You've got, you've got my, my love, heart and soul























[passeio ribeirinho]










26 agosto 2013








em cinco minutos, wynton marsalis dá uma aula completíssima sobre a difícil arte do trompete 
- e ajuda a aliviar o azul de uma segunda-feira























 Chanson






Quel jour sommes-nous 
Nous sommes tous les jours 
Mon amie 
Nous sommes toute la vie 
Mon amour 
Nous nous aimons et nous vivons 
Nous vivons et nous nous aimons 
Et nous ne savons pas ce que c'est que la vie 
Et nous ne savons pas ce que c'est que le jour 
Et nous ne savons pas ce que c'est que l'amour. 











Jacques Prévert





















boulevard montmartre
camille pissarro










25 agosto 2013










no help for that






there is a place in the heart that 
will never be filled

a space 

and even during the 
best moments
and 
the greatest 
times

we will know it

we will know it 
more than 
ever

there is a place in the heart that 
will never be filled

and we will wait 
and 
wait 

in that 
space









Charles Bukowski




















[janelas de lisboa ]










24 agosto 2013










...e, porque o dinheiro era mudo no tempo em que os animais falavam,...





Money talks, it'll tell you a story
Money talks, it says strange things
Hey money talks, very loudly
You'd be surprised
The friends you can buy with small change

They say, "It's the root of all evil"
They say, "Gold is the king"
Hey money talks, you'd better believe it
All that gold
Don't mean a thing

Rich people, I hear those pockets jingle
Spare change, I hear the down and outers cry
Money talks, they tip-toe up behind you
'Cause they steal what they can
Off the cuff or on the sly

Money talks

















Estragas-me a paz.
e eu preciso das minhas solidões,
de bocados mentais sem ti.

Começo a ser doença obsessiva
ao repetir-me por poemas isto:
as tuas invasões à minha paz.
(Podia até em jeito original
por aqui umas notas sobre ti:
cf., vide: textos tal e tal)
Mas é que a minha paz fica toda es-
tragada quando te penso amor.

Interrompi os versos por laranjas.
E volto sempre a ti mesmo que não.
É estranho que pacíficas laranjas
não me consigam afastar de ti.










Ana Luísa Amaral 












[ lê-se melhor aqui ]

23 agosto 2013














office at night
edward hopper




















gravado originalmente pela orquestra de duke ellington com a voz de herb jeffries, "flamingo" tornou-se um standard. 
a melodia presta-se a inúmeros estilos, e uma espécie de tango foi a abordagem escolhida por wynton marsalis. 
o resultado final não está isento de crítica, mas o solo de trompete é inultrapassável.



(é outro nocturno mais-que-perfeito, claro...)










22 agosto 2013









escrevo-te
pelo corpo sinto um arrepio de vertigem
que me enche o coração de ausência pavor e saudade
teu rosto é semelhante à noite
a espantosa noite de teu rosto!
corri para o telefone mas não me lembrava do teu número
queria apenas ouvir a tua voz
contar-te o sonho que tive ontem e me aterrorizou
queria dizer-te porque parto
por que amo
ouvir-te perguntar quem fala?
e faltar-me a coragem para responder e desligar
depois caminhei como uma fera enfurecida pela casa
a noite tornou-se patética sem ti
não tinha sentido pensar em ti e não sair a correr pela rua
procurar-te imediatamente
correr a cidade duma ponta a outra
só para te dizer boa noite
ou talvez tocar-te
e morrer











Al Berto









21 agosto 2013













L'Yerres, pluie
Gustave Caillebotte


















se regressar, será aos teus olhos que regresso.
os acasos ardem nos lábios dos amieiros que na margem do rio
aguardam que regresse. a isso regresso, buscando
coincidências e nomes, razões. afasto-me
provavelmente de ti, embora secretamente.

é por isso estranha a forma como os acasos ardem
para sempre. a outro rio e sob outras sombras
regresso, devagar para não ferir o que antes amei
e por quem morri muitas vezes. agora de novo morro

e por outro rio regresso até ao lugar onde elas, as aves,
nascem para não desaparecerem. e isso é como permanecer.









Francisco José Viegas










20 agosto 2013





uma das inúmeras bandas australianas que os anos oitenta nos deram, os men at work ficaram conhecidos sobretudo por "who can it be now" e "down under". mas a canção deles que mais me diz (ainda hoje) é "down by the sea". passou há dias na rádio e recordei com saudade o tempo em que os ouvia vezes sem conta.




Down by the sea
I found your hidden treasure
Just you and me,
We overdosed on pleasure

Yonnies in the wind,
We're ruggin' up for winter
Putting out the bins
In cold and windy weather

Down by the docks
Live all the silent sea-ships
Crates are stored on blocks
Where now only the rats live

Sail me down the river
Till we reach the shore
Diving into the center
Eating out the core

Down on the beach
Saluting Captain Benbow
Always out of reach
It's quiet when the tide's low

Climbing up the cliffs
You can see for miles far
The boat that ran adrift
Is sitting on the sandbar

Laughing at the waves
That storm the river mouth
The ice is on the move now
Creeping north and south

Down by the sea
I found your hidden treasure
Just you and me
We over-dosed on pleasure

Listen to your heart
Screamin' at the sky
Can't you feel it tremble?
Don't you wonder why? 












Todas as naus são naus de sonho logo que esteja em nós o poder de as sonhar.

(…)
O sonho é o que temos de realmente nosso, de impenetravelmente e inexpugnavelmente nosso.









Bernardo Soares